Comemoração do Bicentenário em outras presenças Salesianas

Neste Domingo dia 16/08/2015 , o dia do Bicentenário do nascimento de São João Bosco houve muita festa em todas as presenças Salesianas espalhadas pelo mundo e muitos jovens declarando “querer ficar com Dom Bosco, querer ser como Dom Bosco”. O carisma de Dom Bosco nunca esteve mais vivo e foi sentido e celebrado nestas diversas comemorações pelo mundo. Hoje foi o dia de afirmar que Dom Bosco vive nos sonhos e esperanças de todo jovem que se deixa amar por ele. 

Selecionamos algumas fotos destas comemorações aqui no Sul do País. Veja como foram algumas das comemorações promovidas pela Inspetoria São Pio X, na região sul, nas cidades de Porto Alegre/RS, Itajaí/SC e Rio do Sul/SC.

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Itajaí estima receber aproximadamente 2 mil pessoas para comemoração do bicentenário de Dom Bosco

Encerramento da Semana da Família 2015.

Durante esta semana que passou,  a Pastoral Familiar da nossa Arquidiocese de Curitiba realizou uma programação especial com reflexões que coloca a família no centro da missão e da vida da própria Igreja e de toda a sociedade.

E neste domingo (16/08) pela manhã, a Pastoral Familiar, especificamente do Setor Portão, promoveu a Caminhada das Famílias, reunindo fiéis das paroquias do Portão,  Sagrada Família e São Jorge dentre outras, que saindo do ponto de concentração,  se dirigiram à nossa comunidade (São Cristóvão) onde foram recebidos para a celebração da missa às 10:00hs.

Juntos, celebraram a Assunção de Nossa Senhora – Mãe de Deus, a Família e o Bicentenário de São João Bosco. Uma grande e emocionante festa e manifestação cristã compartilhada entre os paroquianos visitantes e os locais.

Pe. Valter, Paróquia Sagrada Família, fala à comunidade:

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Comemoração do Bicentenário de Dom Bosco em Guarapuava/Pr

Alguns jovens  representando todos os grupos da AJS  da comunidade paroquial, paroquianos de todas as idades e educadores do ISAS seguiram na madrugada deste domingo (16/08) para a cidade de Guarapuava/Pr, afim de participar das comemorações do Bicentenário de São João Bosco junto às outras presenças salesianas no estado do Paraná.

Antes da partida, participaram de missa do sábado, quando receberam as bençãos de envio para esta viagem. Nesta ocasião os presentes comoraram o bicentenário, lembrando de Dom Bosco na homilia e cantando musicas em sua homenagem.

A seguir, veja as fotos conforme são enviadas pelos viajantes:

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MOVIMENTO DE IRMÃOS – COORDENAÇÃO 2015 2016

COORDENAÇÃO 2015cópiaNa missa de 8 de agosto foi apresentada a Comunidade Paroquial a nova Coordenação do MI.

Coordenadores: Vasco e Lourdinha

Vice coordenadores: Hélio e Ilda

Tesoureiros: Jabismar e Bete

Secretários: Edson e Rose

Liturgia: Francisco e Lúcia

Geni Gomes

Social: Aramis e Judite

Milton e Marli

Patrimônio: José Hylarino e Maria aparecida

Dona Maria.

O mandato da coordenação é julho 2015 a junho 2016.

A todos felicidades.

SHALOM|

Dia dos Pais

dpais

Senhor,

Neste dia em que se comemora o dia dos pais recorro a Ti mais uma vez e de uma maneira muito especial para interceder por todos os pais existentes.
Aos pais que estão felizes conservai neles a alegria da paternidade plena de realização.

Aos pais que se sentem inseguros na forma de melhor educar seus filhos ilumina sua mente, mostra o caminho, o conduz.

Aos pais que choram por ter perdido um filho consola-o na grandeza do Teu amor, fazendo despertar em seu coração o desejo de se tornar um pai espiritual de tantos órfãos desprotegidos, sem casa, sem amor, sem oração.

Aos pais cujos filhos estão envolvidos com qualquer tipo de delinqüência, permita-lhes Senhor substituir o sentimento de humilhação, vergonha e dor pelo desejo supremo de lutar pela justiça, torna-o homem forte, destemido, testemunha da fé em Ti DEUS TODO PODEROSO que nesse mundo TUDO PODE.

Abençoa Senhor a cada um dos pais existentes nesse mundo mantendo-os sob Vossa Divina Proteção, esteja ele perto ou longe de seus filhos, que não espere apenas pela festa de comemoração e pelos presentes mais, que reconheça seu papel diante da família e da sociedade sendo exemplo de amor, comprometimento, honestidade e dedicação a sua família.

Sendo assim, que cada um a sua maneira consiga formar e educar uma grande e rica descendência para Ti, Senhor.
Amém.

Avisos Paroquiais Semana 09/08 a 16/08

avisosDia 12 de agosto, quarta-feira, reunião das catequistas.

Dia 13 de agosto, quinta-feira, reunião com os Ministros, após a missa.

Dias 12, 13 e 14, Tríduo em preparação a Festa de Dom Bosco, sempre às 19hs.

No próximo final de semana, dias 15 e 16 de agosto, acontecerá o encontro de pais e padrinhos, das 14h às 17 horas.

Dia 16 de agosto, próximo domingo faremos a missa do Bicentenário e da Família. Atenção para o horário da missa que será às 10 horas.

Boletim do Apostolado da Oração – Agosto 2015.

Pergunta:

Quem é separado (a) do casamento ou vive uma segunda união pode tornar-se membro do Apostolado da Oração?

Resposta:

A questão das pessoas separadas que vieram de casamentos que não deram certo , atualmente é bastante séria e muito frequente em nossas igrejas (não exclusivamente na Igreja Católica) bem como em nossas pastorais e movimentos eclesiais e espirituais. O Papa Francisco nos adverte: ” Devemos ter misericórdia e desapegarmo-nos do peso da lei.” Sendo a oração a missão principal de nossa Associação uma pessoa nesta situação pode sim ingressar no Apostolado da Oração. Também é claro que devemos tomar muito cuidado para não expor demais a vida das pessoas e sim acolhe-las com carinho e compaixão.

Lembretes:

1)  Agosto é o mês vocacional e lembramos sempre da principal vocação que é a vida de cada um de nós e depois celebramos neste mês:

1º Domingo, 02/08 – A vocação Sacerdotal (dia do Padre)

2º Domingo, 09/08 – A vocação Familiar (dia dos Pais)

3º Domingo, 16/08 – A vocação Religiosa (dia dos Irmãos e Irmãs)

4º Domingo, 23/08 – A vocação Laical (dia dos Leigos engajados)

5º Domingo, 30/08 –  dia das Catequistas

2) Dia 25/08, terça-feira , é o dia do Soldado, cujo patrono é Duque de Caxias.

Agenda de Agosto:

Dia 02 – Primeiro Domingo  do mês – Dedicado aos Padres – Santa Missa às 07:30 horas e em seguida café e reunião geral ordinária. A tarde às 16 horas reunião das Mensageiras das Capelinhas e fechando às 17:30 horas com a Hora Santa na Capela do Santíssimo e a Santa Missa Vespertina das 19:00 horas animada pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV).

As Intenções do Papa:

Universal – Pelos voluntários ao serviço dos necessitados. Para que, aqueles que colaboram no campo do voluntariado entreguem-se com generosidade ao serviço dos mais necessitados.

Pela Evangelização – Para que possamos ir ao encontro dos marginalizados. Para que, saindo de nós mesmos saibamos fazer-nos próximos daqueles que se encontram nas periferias à margem das relações humanas e sociais.

 

Augusto Schimaleski, pela Equipe de Comunicação.

 

PADRE ADRIANO – Homenagem no Dia do Padre – Missa vocacional.

Created with Nokia Smart CamPADRE ADRIANO,

Foi Deus quem te deu a graça de seres quem tu és!

Deixar tudo para se entregar a serviço de Deus, é a mais bela resposta de amor que alguém pode dar ao amor Daquele que morreu por nós, o sacerdote Maior: Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ao entregar-se nas mãos de Deus, como instrumento, para ser usado por Ele, como e onde Ele quiser, o padre se faz o próprio Cristo, que entregou a sua vida por amor ao que é do Pai!
Somente quem se esvazia de si mesmo, numa entrega total a Deus, é capaz de realizar tantos feitos como celebrar a Eucaristia, pregar o Evangelho, acolher os pecadores, orientar e acompanhar como um pai sabe  fazer.
Sei que a missão do sacerdote é árdua, mas sei também que a alegria de servir é maior que todos os desafios!

Não podemos esquecer que o padre precisa de nós, tanto quanto nós precisamos dele, pois nos tornamos a sua própria família! O padre precisa do nosso apoio, da nossa colaboração, compreensão, do nosso amor, da nossa amizade, nosso carinho e principalmente das nossas orações.

Hoje, quero numa prece especial, pedir a Deus pelo senhor e por todos os padres que nos possibilitam a viver a maior de todas as alegrias: participar do Banquete da vida: A Eucaristia!

Com a mão de Deus, nas suas mãos, com seus passos firmes na trilha aberta por Jesus, havereis de libertar do cativeiro, todos àqueles que o Pai confiou aos seus cuidados!

Parabéns, que a presença de Jesus em sua vida seja a sua maior recompensa.

Olívia

Quadrinha – Dom Bosco hoje!

Eu quero ser igual a Dom Bosco
para ensinar aos jovens
a maneira mais fácil e pura
de ter uma vida segura (de seguir Jesus)

E tenho certeza que posso
pois Dom Bosco era como eu
ele era feito de ossos
para Jesus ele não morreu.

Não sei se ele sonhou de noite
não sei se ele sonhou de dia.
Só sei que neste sonho
ele sonhou com Maria.

E no sonho Maria mostrava
como ele tinha que lidar
mas não era com socos e pontapés
ele tinha era que amar.

E os jovens de hoje em dia
não são diferentes de outrora.
Trate seus jovens com amor
se não os jovens vão embora.

Precisa ser como Dom Bosco
e aprender seu carisma
e segurar estes jovens
depois que fazem o crisma.

Autoria: Marquinhos (José Marcos Chagas – Sav/Mesc/MI)

A VIDA DE DOM BOSCO I – Um sonho profético – Maio de 1825

A VIDA DE DOM BOSCO I – Um sonho profético – Maio de 1825

A história de Dom Bosco começa menos de dois meses após a batalha de Waterloo, em Castelnuovo d’Asti, hoje Castelnuovo Don Bosco, um povoado perto de Turim, ao norte de uma Itália redesenhada de acordo com os caprichos dos vencedores de Napoleão.

João Melchior Bosco nasceu no dia 16 de agosto de 1815, na casa do arrendador Giacinto Biglione, no povoado Morialdo, localidade dos Becchi, município de Castelnuovo d’Asti, diocese de Turim. Era filho de Francisco Luis (1784-1817) e de Margarida Occhiena (1788-1856), casados em 6 de junho de 1812. A data de nascimento está fixada à pág. 145 do livro de batizados da paróquia Santo André, em Castelnuovo d’Asti. Foi batizado no dia 17 de agosto, sendo padrinho Melchior Bosco Occhiena e madrinha Madalena Bosco. A família, naquela data, além dos pais e do recém-nascido, completava-se com Antônio (1808-1849), filho do primeiro casamento de Francisco e José Luís, nascido em 1813. Com eles vivia também a avó paterna, Margarida Zucca (1752-1826).

Francisco tinha comprado em 17 ou 18 de fevereiro de 1817 uma modesta construção disposta de depósito de feno e estala, chamada em seguida de “casinha dos Becchi”, a “Belém salesiana”, porque considerada erroneamente como aquela em que nascera João Melchior. Francisco morreu em 11 de maio de 1817.

Em 1815 uma extraordinária carestia afligia o Piemonte.

Em dezembro de 1823 João aprende a soletrar com um camponês. Em 3 de novembro de 1824 vai para a escola em Capriglio com padre Lacqua. Em março de 1825 termina a escola em Capriglio e retoma-a por poucos meses em novembro.

Casa Biglione

Propriedade da família Biglione onde nasceu São João Bosco. Se encontrava naquele lugar que hoje é conhecido como a Colina Dom Bosco, situada entre o Instituto Bernardo Semeria e o Templo. ( M. MOLINERIS, “Dom Bosco Inédito”)

biglione

A noite chega calma e serena nas colinas e vales da Itália, onde vivem os modestos camponeses. Foi mais um dia da trabalho árduo. Mas para Joãozinho Bosco foi também um dia de brinquedos. Ele agora dorme um sono tranquilo, e sonha…

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Em seu sonho, percebe jovens que brincam alegres, correm, e alguns que se desentendem e falam palavrões. Joãozinho pede a eles que não briguem nem digam blasfêmias, mas não é atendido.

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Vendo que com palavras nada conseguia, pretendeu impor seu pensamento à base de socos e bofetões. E a briga foi generalizada!

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Em meio à pancadaria, um homem se aproxima de Joãozinho e lhe fala: -”Não será com pancadas que transformarás esses jovens em amigos. Trata-os com bondade! Mostra-lhes quão bela é a virtude e quão desprezível é o vício.”

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-”Quem é o Senhor, hein? Olha, moço não dá para fazer o que Ire pede, não! Eu nunca iria conseguir!”

-”Certamente o conseguirás com obediência e estudo. Para isso, tenho aqui a mais sábia das mestras: minha mãe!”

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Nossa Senhora pede a Joãozinho que olhe em volta e diga o que vê. Ele diz que pode ver lobos, ursos e outros animais ferozes. Quando Maria pede que ele se aproxime desses animais e tente domesticá-los, Joãozinho se nega terminantemente.

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De urna hora para a outra, então, todas aquelas feras transformaram-se em cordeirinhos. João Bosco não entende mais nada.

-”Eis tua missão: procura conduzir esses jovens ao bom caminho. Leva-os a Deus! Tudo compreenderás. Torna-te humilde, forte e corajoso.”

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A visão desaparece e Joãozinho acorda. Fica a imaginar quem seria aquele Senhor tão sábio e aquela senhora tão bondosa… Assim, decidiu contar aos outros da casa o que sonhou.

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João, na manhã seguinte, conta o sonho a seus familiares. As interpretações são as mais variadas. Seus irmãos, José acha que ele será pastor de ovelhas ou caçador, já que no sonho apareciam cordeiros e animais ferozes. Antonio que será chefe de bandidos. Sua avó afirma que em sonhos não se deve acreditar. Perguntando a opinião de sua mãe, ela responde:
-”Bem, filho, talvez você seja padre, algum dia!”

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-”Acho que mamãe tem razão. Se quero acabar com as desavenças; ser padre é uma boa ideia. Minha campanha vai começar agora: apresentarei números de mágica para que a turma se divirta. Isto servirá para mantê-los afastados das brigas!”

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E assim João Bosco vai divertindo seus amigos… Todos estão ali, com os olhos pregados nos números de mágica. Ao fim de cada apresentação ele ouve palmas e elogios!

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Mas em casa não é nada disso que espera por ele. Seu irmão, Antônio, zangado, avisa a Joãozinho que terá de trabalhar, se quiser comer. De nada adianta explicar sobre a necessidade daquela diversão.

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No dia seguinte, durante a oração com os amigos, Joãozinho mostra-se preocupado, e a todo instante olha para os lados de sua casa. Seus companheiros não entendem o que se passa.

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Mesmo assim, os truques e acrobacias têm prosseguimento. A turma toda delira com as habilidades de João!

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Passa o tempo e João Bosco vai crescendo. Agora, prepara-se para a primeira comunhão, orientado por mamãe Margarida, a quem ele pede que perdoe as faltas cometidas em casa. Na quaresma de 1827 Margarida envia João para a catequese paroquial.

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A partir daquele momento, a cada dia ele estava mais ligado à existência de Deus e às maravilhas da natureza. Algumas frases não lhe saíam da cabeça – “Mostra-lhes quão bela é a virtude”… – “Você vai ser pastor” – “Talvez você seja padre, algum dia.”

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Em casa, a situação não é boa. Antônio diz não ter mais paciência para aturar alguém que só quer estudar, sem se preocupar com o trabalho. Em fevereiro de 1828 João sai de casa para ser serviçal na casa dos Moglia, em Moncucco. Ficará ai até novembro de 1829.

Observando o filho que partia, mamãe Margarida o abençoa e faz uma prece, pedindo a Deus que o acompanhe, indicando o bem caminho.

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A conselho da mãe, João procura os Moglia. Conseguiu ser aceito como serviçal no campo com a condição de o deixarem ir à escola do pároco em Moncucco enquanto deixaria de bom grado o salário. Nas horas livres ia com o pároco Francisco Cottino (1768-1840), fazendo muito proveito e progresso.

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Em sua adolescência, Bosco conhece também o padre João Calosso. O encontro aconteceu em novembro de 1829, após um sermão, durante o período das Missões. João diz ao padre do seu interesse em conduzir os jovens ao caminho do bem. Satisfeito, Calosso recomenda que cultive esse pensamento e conte com ele para continuar os estudos.

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Dom Bosco escreveu nas Memórias do Oratório: Quando chegamos à altura do caminho onde era forçoso separar-nos, deixou-me com estas palavras:

– Coragem, Vou pensar em ti e em teus estudos. Vem ver-me domingo, com tua mãe, e combinaremos tudo.

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No domingo seguinte foi, de fato, com sua mãe, e ficou combinado que O padre Calosso daria diariamente uma aula e João empregaria o resto do dia trabalhando no campo, para contentar Antônio.

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” Coloquei-me logo nas mãos do P. Calosso. Abri-me inteiramente a ele. Fiquei sabendo Assim quanto vale um guia estável, um fiel amigo da alma, que até então não tivera”, afirma D. Bosco nas Memórias do Oratório. E continua: “O digno ministro de Deus me chamou um dia e me disse: Joãozinho, puseste em mim tua confiança, e não quero que isso seja inútil. Deixa, pois, esse irmão malvado, vem comigo e terás um pai amoroso. Comuniquei à mamãe o caridoso convite, e foi uma festa em casa. No mês de abril passei a conviver com o capelão, voltando para casa somente à noitinha para dormir. O P. Calosso tornou-se um ídolo para mim”.

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Chegou o dia, no entanto, em que o P. Calosso foi vencido pelo tempo. Em abril de 1830 o P. Calosso passou mal, sofreu um ataque apoplético.  Reconheceu-me, queria falar, mas já não podia articular palavra. Deu-me a chave do dinheiro, fazendo gestos como para indicar que não a Entregasse a ninguém. Morreu no dia 21 de novembro de 1830, com 75 anos. Eram 6.000 liras. Chegaram os herdeiros e entreguei-lhes a chave e tudo o mais.

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Com a perda do mestre e companheiro, João retoma à casa da mãe. Ele continua os estudos na escola municipal de Castelnuovo. São 20 quilômetros por dia, e é inverno. Muitas vezes vai de pés descalços, para economizar calçados. Em 1830, com a chegada de Antonio à maioridade, Margarida fez a divisão dos bens patrimoniais. A casa dos Becchi foi dividida, com Antonio numa parte e José, com a mãe e o irmão na outra. A avó morreu em 1826.

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Certa noite, o sonho dos 9 anos volta a se repetir, João revê Nossa Senhora e os cordeiros. Foi asperamente repreendido por ter colocado esperança nos homens e não na bondade do Pai do céu, devido ao fato de até ter ficado doente, depois da morte do P. Calosso. Ao acordar, se sentirá mais confiante e corajoso para prosseguir e dirigir seu rebanho.

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João sentia uma verdadeira atração pelos sacerdotes que conhecia. Numa festa da Igreja, ele conhece o seminarista Cafasso. Isso aconteceu no segundo domingo de outubro de 1830, festa da Maternidade de Maria Santíssima.

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–”Sou de Becchi, meu nome é João Bosco. O senhor aceita um convite para visitar a barraca das mágicas?” -”Obrigado, João. Meus espetáculos são as cerimônias da Igreja, sabe?”

–”Eu também gosto de Igreja, mas por enquanto vou dividindo o meu tempo e faço as duas coisas.”

-”Entendo .. Mas quando se é sacerdote, a gente se consagra por inteiro a Deus. As outras coisas ficam em segundo lugar!”

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João Bosco chegou a Chieri em 3 de novembro de 1831 para prosseguir estudando. Inicia os estudos de latinidade no “colégio” ou escola pública de Chieri em um ano, faz a sexta e quinta séries. Em 1832 inicia a quarta série completando-a com a terceira. Em 1833 inicia a segunda série ou ano de humanidades. Foi crismado em 4 de agosto de 1834.

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Na aula, tudo agora é contentamento. Com alguns colegas, João funda a “Sociedade da Alegria”, onde a obrigação de todo sócio é cumprir com alegria todos os deveres com Deus e com a escola.

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João já se considera um jovem responsável. Sente uma grande paixão pela juventude. Aprimora seus dotes artísticos e desportivos. Em todos os seus atos, Deus está presente.

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João fez amizade com um jovem judeu, chamado “Jonas”, Jacob Levi. (1816-1870). Contrariando seu pai, este jovem hebreu preferiu ser expulso do lar a deixar a amizade de Bosco.

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João o preparou para receber o batismo, realizado na catedral de Chieri, em 10 de agosto de 1834, mudando o nome e sobrenome para Luís Bolmida.

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Outro amigo especial de Bosco foi Luís Comollo. Era um garoto alegre, comportado, cumpridor de seus deveres.

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Devido ao seu temperamento pacífico, os outros se aproveitavam para provocá-lo e zombar dele.

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Um dia, estavam prestes a bater em Comollo. Quando apareceu João Bosco. Energicamente ele mandou que parassem logo com aquela covardia, batendo nos colegas. Ouvindo isso, os agressores se retiraram.

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A partir dai, Comollo e Bosco passam a cultivar uma grande amizade. Ambos têm em mente o mesmo ideal: entrar para o seminário! Dom Bosco escreveu nas Memórias do Oratório o que lhe disse Comollo: “Meu amigo, tua força me espanta; lembra-te, porém, que Deus não a deu para massacrar os colegas. Ele quer que nos amemos e perdoemos, que façamos o bem a quem nos faz o mal. Pus-me inteiramente em suas mãos, deixando-me guiar”.

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Em 1834 João pensava em entrar no Convento dos Franciscanos. Se inscreveu no convento de Santa Maria dos Anjos, em Turim. Porém teve um sonho, onde era dito que não deveria entrar no convento. Foi então se aconselhar com o P. Cafasso, em Turim. Seu conselheiro espiritual foi radical: aconselhou-o a continuar seus estudos e depois ingressar no seminário. Nada de ser frade! Deu a João coragem e otimismo, prometendo inclusive ajudá-lo materialmente.

Os amigos procuram João para dizer-lhe que todos estarão presentes no dia de sua entrada no seminário. A notícia o deixa muito satisfeito.

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Assim, aos vinte anos João Bosco veste o hábito eclesiástico, em 25 de outubro de 1835. Com a ajuda da mãe e dos amigos, conseguiu alcançar este grande dia. Mamãe Margarida era a mais alegre entre todos, e não cansava de agradecer a Deus e ao filho, por tamanha felicidade.

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“João, você vestiu o hábito de sacerdote. Sinto toda a consolação que uma mãe possa sentir. Lembre-se, porém, de que não é o hábito que o dignifica, mas a virtude. Se algum dia vier a duvidar de sua vocação, não desonre este hábito. Deixe-o imediatamente. Prefiro ter um filho pobre camponês a um sacerdote que descure seus deveres. Quando você nasceu, consagrei-o a Nossa Senhora. Quando começou os estudos, recomendei-lhe que amasse a essa nossa boa Mãe. Agora, recomendo que seja todo Seu”. Estas foram as palavras ditas por mamãe Margarida quando Dom Bosco entrou no Seminário.

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A VIDA DE DOM BOSCO II – O amigo dos jovens

A VIDA DE DOM BOSCO II – O amigo dos jovens

No dia 3 de novembro de 1835, João entrava no Seminário de Chieri. Tem início o biênio de estudos de filosofia. Ao entrar no seminário, leu a sentença que estava numa das paredes: “Para os tristes as hora passam lentamente; para os alegres, depressa”. Disse ao colega Gangliano: “eis ai nosso programa: vamos estar sempre alegres e o tempo passará depressa”. Perguntou ao professor, P. Francisco Ternavasio (1806-1886) o que deveria fazer para ser um bom seminarista. E a resposta veio lacônica: “Uma só coisa, o cumprimento exato do dever”.

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“Entreguei-me a vida recolhida e fiquei mesmo persuadido de que quem quer dar-se ao serviço do Senhor deve deixar inteiramente os divertimentos mundanos.”

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Os anos foram passando. Bosco e Luís Comollo continuavam grandes amigos. Muitas vezes deixavam o café da manhã para irem juntos à igreja S. Filipe comungar.

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Muitos jovens de Chieri chegavam para conversar com Bosco. Ele os reunia no salão do seminário, com disciplina e muita alegria.

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Também de Becchi e Castelnuovo os antigos colegas iam visitá-lo. Quando alguém, por brincadeira, dizia que não gostava de padre, João respondia: “Então não há problema, pois ainda não sou padre!” E a diversão era geral…

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Após a recreação, Bosco levava os amigos até a Igreja, para uma prece. Na hora da despedida, convidava-os para voltarem no domingo seguinte. Seu sonho parecia estar se realizando…

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Durante as férias, a casa de mamãe Margarida se transformava em escola de artes e ofícios: muita coisa para consertar e construir. João aprendia para mais tarde ensinar os jovens a ganhar o pão com o trabalho.

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-”Colegas, amanhã faremos uma revisão no programa de História Antiga. E depois de amanhã um exercício de redação. Preparem-se bem! Por hoje é só, boa sorte!”

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João empregava boa parte do tempo para estudar e refletir.

-”Foi neste prado que vi pela primeira vez meus ferozes cordeirinhos. Nesta árvore aqui amarrei a corda para o número de equilíbrio. Aqui, as exibições de equitação; lá, a estrada de Castelnuovo. O padre Calosso… Em 1837 D. Bosco inicia o quinquênio de estudos de teologia.

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No seminário, conheceu o padre João Borel, (1801-1873), pregador dos exercícios espirituais na primavera de 1838. D. Bosco descreve nas Memórias do Oratório o encontro com ele.

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Luis Comollo, o grande amigo de Bosco, é vitima de uma doença fatal. Ao ser consolado, ele diz que o mais importante não e ter uma longa vida, mas sim vontade de cumprir a vocação. Afirma também que logo terão notícias dele… Morreu no dia 2 de abril de 1839.

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Na noite de 3 ou 4 de abril, uma voz ressoa forte no dormitório dos seminaristas: “Bosco… Bosco! estou salvo!… “Era a voz de Comollo”. Bosco e Comollo tinham feito um pacto de que, quem morresse primeiro, iria dizer se estava salvou ao não.

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O episódio deixou todos apavorados. Bastante atordoado, Bosco teve de passar alguns dias na cama. Teve a ideia de ganhar um ano, estudando durante as férias.

Fez o pedido para o Arcebispo Fransoni que deu autorização. Assim poderia concluir o quinquênio teológico no ano letivo 1840-1841. Alegou como razão a idade: já tinha completado 24 anos.

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Foi ordenado subdiácono em 19 de setembro de 1840. No dia 29 de março de 1841 recebeu o diaconato.

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Preparou-se para a ordenação com os exercícios espirituais iniciados na casa da Missão em Turim, no dia 26 de maio de 1841. A pregação de conclusão foi sobre o tema: “o padre não vai sozinho para o céu, nem vai sozinho para o inferno”. Tomou algumas resoluções: fazer “passeios” só “por graves necessidades”, “ocupar rigorosamente o tempo”, sofrer tudo para “salvar almas”, temperança na comida e na bebida, muito trabalho e pouco repouso noturno, nenhum durante o dia. O quarto dizia: “A caridade e a doçura de São Francisco de Sales guiem-me em tudo”. O oitavo referia-se à vida de oração, o último à discrição no trato com as mulheres.

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No dia 5 de junho de 1841, João Bosco foi ordenado padre na capela do Arcebispado, sendo ordenante D. Fransoni.

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“Celebrei a primeira missa na igreja de S. Francisco de Assis, em Turim, assistido pelo P. Cafasso, meu insigne benfeitor e diretor. Esperavam-me ansiosamente no meu povoado, onde fazia muitos anos que não havia primeira missa. Mas preferi celebrá-la em Turim, sem barulho, no altar do Anjo da Guarda. Posso chamar aquele dia o mais belo da minha vida”.

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Na quinta-feira seguinte, 10 de junho, dia de Corpus Domini, Dom Bosco cantou a missa na terra natal.

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Naquela noite, Mamãe Margarida achou um momento para lhe falar a sós: “Joao, agora você é padre. Está mais perto de Jesus. Eu não li livros, mas lembre-se que começar a dizer Missa é começar a sofrer. Por enquanto, nem perceberá. Mas aos poucos, verá que sua mãe lhe disse a verdade. De agora em diante pense apenas na salvação das almas. E não se preocupe comigo.”

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No dia 3 de novembro Dom Bosco, depois de consultar o P. Cafasso em vista da destinação, entra no Colégio Eclesiástico de Turim e é envolvido na catequese para jovens e adultos. Entretanto, de modo crescente, revelaram-se determinantes o impacto com a cidade de Turim…

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E o envolvimento na sorte de uma juventude que no futuro Dom Bosco definiria como “pobre e abandonada”, “em perigo e perigosa”.

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O P. Cafasso convidou Dom Bosco para ir visitar as prisões. Causou dor “ver um grande número de jovens, dos 12 aos 18 anos, todos sãos, robustos, de espírito vivaz, mas sem nada para fazer, picados de insetos, à míngua de pão espiritual e temporal, foi algo que me encheu de horror”, escreveu nas Memórias do Oratório.

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Bosco percebe que as coisas ali estão erradas. “O que mais me impressionava, escreveu Dom Bosco, era que muitos ao sair de lá estavam decididos a levar uma vida melhor, diferente. Talvez só por medo da prisão. Mas, depois de pouco tempo, acabavam voltando”. “Esses rapazes precisariam ter lá fora um amigo que cuide deles, os assista, instrua, leve à igreja nos dias santos. Então não voltariam a prisão”.

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Observando alguns jovens que se desentendem na rua, em meio a uma brincadeira, João pensa consigo: “Foi assim que começaram aqueles que estão atrás das grades.”

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O tímido inicio desta realização acontece na manhã de 8 de dezembro de 1841. D. Bosco está para rezar a missa na igreja de S. Francisco. Um jovem está na sacristia. O sacristão pede para que ele ajude a missa. Este diz que não sabe. O sacristão o expulsa dali… e Dom Bosco o manda chamar… diz ao sacristão que aquele jovem é seu amigo.

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Conversando com o garoto, Bosco fica sabendo seu nome: Bartolomeu Garelli. Seus pais já morreram, e ele está só. João convida-o a conversarem após a missa.

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Durante a conversa, Garelli conta que ainda não sabe ler e nem fez a primeira comunhão. João o convida para vir ao menos uma vez ao catecismo, mas Garelli se sente inibido, pois é bem maior que os outros. Dom Bosco, após rezar uma Ave-Maria dá a primeira aula de catecismo para este jovem.

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Certamente não era a primeira vez que Dom Bosco ensinava catecismo. Contudo, uma emoção muito especial tomou conta dele. Uma semente muito fértil estava sendo lançada. E começou a germinar com muito vigor.

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Diz para que ele retorne e traga mais colegas. No domingo seguinte aparecem mais jovens.

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Com o tempo, o grupo foi crescendo. A sala de aulas particulares de catecismo já estava pequena demais.

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O padre Cafasso ofereceu a Dom Bosco o pátio do seminário para os jogos, depois da aula. A garotada se divertia, mas ao mesmo tempo perturbava o sossego dos moradores próximos.

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Os pátios Internos também já se tornavam pequenos, e todos passaram a reunir-se ao ar livre. Eram mais de 200, e Dom Bosco sabia o nome de cada um.

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Os jovens aprendiam de tudo: ler, escrever, soma, subtrair. Os mais velhos, garçons, varredores e biscateiros, invadiam as dependências de Dom Bosco para receberem alguma instrução. Nesta época Dom Bosco era capelão da Marquesa Barollo. Os jovens iam ao Refúgio, que era uma Obra destinada para meninas.

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“Dom Bosco, admiro muito seu trabalho, mas assim ficará esgotado. Deixe de lado os rapazes e venha se dedicar só as meninas de meu colégio. -”Sinto muito, senhora Marquesa. Esses jovens são muito importantes para mim, e estão necessitados. Eu fico com eles! “Lamento muito, mas tenho de lhe pedir que não use mais meu terreno para os seus garotos.”

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Naquela noite, D. Bosco viu novamente sua Mestra e Auxiliadora.

-”Não sei onde levá-los agora. São muitos, e ninguém nos suporta mais.”

-”Há um descampado em Valdocco, o lugar dos mártires de Turim. Leva-os para lá.”

Nossa Senhora mostra-lhe em sonho um esplêndido santuário em sua honra.

-”Esta é a minha casa. Este é o lugar da minha glória.”

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A VIDA DE DOM BOSCO III – Com a cara e a coragem

A VIDA DE DOM BOSCO III – Com a cara e a coragem

Dom Bosco inicia a procura do local indicado em sonho. Por enquanto, vai reunindo seus meninos ao ar livre. Fala com Miguel Rua, o jovem que seria seu braço direito e sucessor, propondo a ele urna sociedade: metade cada um, o que o rapaz não consegue entender.

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No dia 25 de maio de 1845, o P. Tésio, capelão de São Pedro in Víncoli, onde havia um cemitério, convidou D. Bosco para celebrar a eucaristia. D. Bosco veio com os jovens. Depois da missa começaram a correr ruidosamente pelo pátio e pórticos. A criada do padre ficou apavorada, e, a seguir, enfurecida. Pôs-se a gritar, a perseguir, a agitar o cabo de vassoura, enquanto suas galinhas, assustadíssimas, fugiam perseguidas pelos meninos… Chegou até Dom Bosco, cobrindo-o de injúrias. Dom Bosco compreendeu que o melhor a fazer era deixar o local.

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Os garotos preocupam-se com a situação, e D. Bosco os tranquiliza. -”Paciência, minha gente. Nossa Senhora nos ajudará, podem ter certeza. Um dia teremos pátios só para nós. Mas por enquanto o jeito é migrar.”

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Na rua, as opiniões sobre D. Bosco e seus jovens são divididas. Uns não acreditam que um só padre possa controlar tantos moleques. Outros, sabem que os garotos são bem dirigidos, que vão à missa, rezam e comungam. E que também se divertem, como os demais.

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Os comandados de Bosco já são agora 400. Todos o estimam muito, e ele tem para cada um uma palavra de estímulo. Certos domingos faziam uma verdadeira parada militar, e em desfile se dirigiam para a missa em outro local. Já havia quem se alarmasse, vendo tantos garotos juntos.

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O Ministro Cavour pede a D. Bosco que dispense os jovens, pois eles poderão fugir ao seu controle. Bosco se nega a fazê-lo, alegando que eles não tem onde ficar. Como solução, o Ministro forma escolta de guardas, para garantir a segurança.

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Sem querer, foi o próprio Dom Bosco que deu o pretexto para que se espalhasse o boato de que estava ficando louco. Para levantar o ânimo dos meninos que deviam mudar-se de um cemitério para um moinho, de uma pensão para um prado, Dom Bosco começou a contar-lhes seus sonhos. Falava de um oratório grande e espaçoso; de igrejas, casas, escolas, oficinas, rapazes aos milhares, padres à sua total disposição. Coisas todas que brigavam com a realidade precária de cada dia.

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Os padres, colegas de Dom Bosco, começam a suspeitar que ele está sofrendo de perturbações mentais, pois suas palavras parecem fora da realidade. Um dia, convidam-no para um passeio, mas seu objetivo é levá-lo ao hospício.

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Percebendo a intenção dos dois padres, D. Bosco faz com que eles entrem primeiro na carruagem, e em seguida ordena ao cocheiro que leve-os urgente ao manicômio. Assim, quem foi parar no hospício foram os outros dois, e não Dom Bosco.

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D. Bosco começa a se defrontar com mais problemas: os donos do prado onde estavam reclamam que os garotos destruíram toda a plantação. Isso vai virar um deserto, diziam. Uma estrada de chão batido!  Tenha paciência, meu caro padre. Assim não dá. Dispensamos o pagamento do aluguel, mas devemos despedí-lo. Deram-lhe quinze dias para sair. Isso tudo entristece e preocupa o bom padre. “Ao cair da tarde desse dia, escreveu Dom Bosco, contemplei a multidão que brincava. Estava só, sem forças e com a saúde abalada. Afastando-me um pouco dali, pus-me a caminhar sozinho. Não pude reprimir as lágrimas e exclamei: “Meu Deus, dizei-me o que devo fazer”.

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-”E agora, Senhor, para onde vamos? Pobres meninos, são levados e grosseiros! Mas são meninos, precisam brincar! Todos me obedecem, me querem muito. Senhor, ajudai-me! Nossa Senhora, mostrai-me o lugar do sonho!”

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Neste momento chegou um homem gago, Pancrácio Soave, fabricante de soda e detergentes. Ele disse:

– é verdade que o senhor procura um lugar para fazer um laboratório?

– Um laboratório não, um oratório.

– Não sei qual a diferença. Mas o lugar existe. Venha vê-lo. É propriedade do Sr. Francisco Pinardi, pessoa honesta.

O lugar destinado para Dom Bosco era um telheiro. D. Bosco esteve a ponto de recusá-lo. D. Bosco alugou por um ano, pagando trezentas e vinte liras. Podia dispor do telheiro e da nesga de terreno ao lado, para o recreio dos meninos.

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Fascinado, D. Bosco voltou correndo para os meninos e disse: “Novidades, meus filhos! Achamos o oratório! Teremos igreja, escola e pátio para pular e jogar. Domingo iremos para lá. É na casa Pinardi!

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D. Bosco estava muito feliz, pois encontrara a casa de seus sonhos. É bem verdade que não era nenhum palácio, tinha até alguns problemas, mas ele sabia que seus jovens eram trabalhadores e logo tudo estaria em ordem.

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E a turma toda começou a reforma geral com muito humor e entusiasmo. Afinal, estavam trabalhando na sua própria casa! A casa que Nossa Senhora disse que Bosco encontraria.

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Depois de alguns dias de dedicado trabalho, o barracão era outra coisa. Foi transformado em capela. D. Bosco disse aos meninos que mais tarde eles teriam outra ainda maior que aquela.Colocou os castiçais, a cruz, a lâmpada e um pequeno quadro de São Francisco de Sales.

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O dia 12 de abril de 1846 foi um grande dia: nessa manhã de Páscoa todos os sinos da cidade repicavam festivos. No telheiro Pinardi não havia sino. Mas o afeto de Dom Bosco chamava os rapazes para a “baixada” de Valdocco. Encheram toda a capela. Assistiram em silêncio a bênção da capela e a missa celebrada por Dom Bosco. Depois, apanhando as pressas o pãozinho costumeiro, espalharam-se pelos prados. E a alegria explodiu. Finalmente tinham uma casa só para eles!

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D. Bosco ia cada vez mais desenvolvendo suas atividades. Era visto em andaimes e oficinas, para saber do comportamento de seus jovens, dos salários que percebiam, das horas de trabalho e da saúde de cada um. Tratava diretamente com os empregados a respeito dos interesses de ambas as partes.

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Era incansável… Junto aos empreiteiros, procurava convencê-los a pagar um salário mais justo aos rapazes. E era quase impossível negar alguma coisa àquela pessoa tão educada e simpática! Ao final da conversa, ele ganhara mais um amigo.

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Um dia, porém, o corpo cansado de Dom Bosco se rendeu ao trabalho. Foi no primeiro domingo de julho de 1846. Voltando para seu quarto, no Refúgio, Dom Bosco desmaia. Carregaram-no para a cama. “Tosse, inflamação violenta, golfadas de sangue pela boca”: palavras que, com toda a probabilidade, equivalem a “pleurite com febre alta, hemoptise”. Um complexo de gravíssimas enfermidades para aquele tempo. “Em poucos dias, fui julgado moribundo”. A notícia se espalha e os jovens rezam para que D. Bosco não morra. Oito dias ficou entre a vida e a morte.

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Devido ao esgotamento, os médicos prescreveram uma longa convalescença, em repouso absoluto. Dom Bosco foi para os Becchi, à casa do seu irmão e de sua mãe. Mas prometeu aos meninos: pelo cair das folhas, aqui estarei novamente. Em meio a vocês.

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Dias depois, D. Bosco vai até Becchi. Nas longas caminhadas solitárias, Dom Bosco construiu lentamente o seu projeto para o futuro imediato. Numa noite de outubro, convidou a sua mãe para ir passar uns tempos com ele. E sua mãe, preocupada com seu estado de saúde, resolve ir morar com ele. Ela despede-se com saudade de sua casa e ambos partem a pé para Turim no dia 3 de novembro de 1846.

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No caminho, um padre, colega de D. Bosco, se alegra ao vê-lo com saúde. Bosco diz que agora está tudo bem, principalmente porque ficará ao lado da mãe. O colega então oferece a ele um relógio, como ajuda para seus meninos.

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Chegando ao seu destino, Bosco mostra a sua mãe a casa Pinardi. Mamãe Margarida está muito alegre. Disse ao filho: nos Becchi, era todo o dia aquela luta para pôr ordem, limpar os móveis, lavar as panelas. Aqui poderei descansar um pouco mais. D. Bosco pregou na parede um crucifixo e uma pequena imagem de Nossa Senhora. E enquanto Margarida preparava alguma coisa para comer, ajeitou as camas para a noite. Juntos puseram-se a cantar. Um rapaz chamado Estevão Castagno ouviu-os cantar. E a notícia voou de boca em boca entre os jovens de Valdocco: – Dom Bosco voltou!

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Agora, já recuperado, é carregado em triunfo pelo seu pessoal, numa alegria incontida e única. Seu orientador e amigo estava forte novamente, graças à Nossa Senhora. Isso aconteceu no domingo, dia 8 de novembro.

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Numa noite de abril de 1847, D. Bosco fez a primeira experiência de acolher jovens no palheiro da casa Pinardi. Colocou meia dúzia de rapazes. Decepção. Na manhã, os hóspedes haviam sumido, levando as cobertas que Mamãe Margarida lhes tinha emprestado.

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Noite de maio. Chove a cântaros. Dom Bosco e sua mãe acabam de jantar. Alguém bate no portão. É um rapaz molhado, enregelado, de uns 15 anos.

– Sou órfão. Venho de Valsésia. Trabalho de pedreiro, mas ainda não achei emprego. Estou com frio e não sei para onde ir…

– Entre – diz D. Bosco – ponha-se ali perto do fogo. Molhado como está, vai ficar doente. Enquanto se aquece e enxuga a roupa, Mamãe Margarida prepara alguma coisa para comer. Segue-se um diálogo. Depois colocam-no para dormir. Mamãe Margarida fez-lhe algumas recomendações sobre a necessidade do trabalho, da honradez e da religião. Os salesianos viram, carinhosamente, nesse “sermãozinho” de Mamãe Margarida a primeira “boa-noite” com que se costumam concluir as atividades do dia nas casas salesianas e que D. Bosco julgava ser “a chave da moralidade, do bom andamento e do bom êxito da educação”. O 2º interno foi um jovem de classe média, que tinha perdido o pai e a mãe.

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O terceiro foi José Buzetti. Depois, ao visitar os doentes, no hospital, Bosco encontra um jovem que caíra de um andaime. Sem esperanças de voltar a trabalhar, ele se desespera. D. Bosco resolve o problema, levando-o também para morar com os outros meninos.

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Qualquer local é bom para D. Bosco se interessar pelos jovens. Na barbearia, deixa-se barbear por um aprendiz, (Carlos Gastini) para dar-lhe mais confiança e entusiasmo. O rapaz conta que sua mãe está no interior, doente.

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Dias mais tarde, os dois novamente se encontram e o jovem barbeiro conta que sua mãe faleceu. Com a bondade que o caracterizava, D. Bosco leva o rapaz para morar com os outros.

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A guerra que assolava a Itália deixava para trás muitos órfãos e abandonados. Buscando ajuda de famílias ricas, D. Bosco conseguiu aumentar o espaço para abrigar os necessitados.

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E assim, pouco a pouco ele ia introduzindo a cultura e a humildade entre a rapaziada. Sua boa-vontade era ilimitada.

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Depois de alguns anos, D. Bosco era conhecido por todos em Turim. Já não havia mais espaço para abrigar todos os jovens necessitados. E ele resolve então que os de Porta Nova terão uma sede própria, lá mesmo.

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O Arcebispo de Turim, Marquês Luís Fransoni (1789-1862) visitou pela primeira vez o Oratório no dia 21 de junho de 1847, para administrar a Confirmação. “Foi nessa ocasião, relembra Dom Bosco, que o Arcebispo, ao receber a mitra na cabeça, esqueceu que não estava na catedral: levantou um tanto apressado a cabeça e bateu com ela no teto da capela. Rimos todos: ele e os presentes”. Dom Fransoni sussurrou: ‘É preciso respeitar os meninos de Dom Bosco e falar-lhes com cabeça descoberta”.

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Em 1851, jovens crescidos aos cuidados de Bosco tornam-se seminaristas, para depois ajudá-lo no trabalho de assistência aos que precisam. Mais tarde muitos mais seguiriam o mesmo caminho.

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Ao mesmo tempo outros ajudavam a Dom Bosco no setor profissional.

-”Um dia terei, entre os meus sócios de trabalho juvenil, mestres de mecânica, tipografia e muitos outros ofícios”.

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Em junho de 1852 D. Bosco inaugurou a nova igreja que tinha construído ao lado da Casa Pinardi. Era dedicada a São Francisco de Sales. No dia 2 de dezembro de 1852 o edifício que estava sendo construído na ala leste da casa de Dom Bosco, visando ampliar sua Obra desmoronou. Neste ano eram 100 os meninos residentes.

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Um dia, durante o café da manhã, acabaram-se o pão e as frutas. D. Bosco, então, viu-se obrigado a servir castanhas aos jovens. Não eram muitas, mas foram suficientes para todos. E pela primeira vez, quem sabe, naquela tarde, os meninos, com as mãos cheias de pobres castanhas, gritaram: “Dom Bosco é um santo!”

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“Agradeço a Deus a felicidade de estar ao seu lado, trabalhando pelos nossos filhos. Mas não sei até quando.” disse Mamãe Margarida, numa das noites em que se encontravam juntos. Dom Bosco escrevendo e Margarida consertando e remendando as roupas dos meninos do Oratório.

-”Mamãe, enquanto houver meninos abandonados quero dar minha vida por eles. Depois, outros continuarão nosso trabalho.”

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A VIDA DE DOM BOSCO IV – Apóstolo dos tempos modernos

Apesar de toda sua bondade e seu jeito simples, D. Bosco tinha inimigos. Certa vez, enquanto dava catecismo, um indivíduo tentou tirar-lhe a vida: “uma bala de arcabuz entrou por uma janela e varou-me a batina entre o braço e as costelas, indo fincar-se na parede”, escreveu Dom Bosco. Diante dos meninos, que ficaram apavorados, ele comentou: “Uma brincadeira um pouco pesada. Sinto muito pela batina, que é a única que tenho. Mas Nossa Senhora nos quer bem”.

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Os atentados não cessariam aí, mas Bosco tornando medidas de precaução conseguiu escapar ileso. Acima de tudo ele sabia que contava com a proteção de Nossa Senhora.

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Outro dia, D. Bosco foi chamado à taberna do Coração de Ouro, onde havia um agonizante. Chegando lá, vários homens comiam castanhas. Ofereceram e tentaram fazer com que ele tomasse um copo de vinho. D. Bosco não quis tomar. Tentaram fazer com que tomasse, a força. Ele tinha levado junto com ele alguns dos jovens mais fortes do Oratório. Os chamou. E assim conseguiu se desvencilhar da tentativa de morte.

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Um cão chamado Grigio toma-se grande protetor de D. Bosco nas suas saídas à noite. O animal estava sempre a postos para defender seu dono.

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Desde certo dia em que salvou Bosco da morte certa, o cão passou a acompanhá-lo até em casa. Com o dono, era manso como um cordeiro; com os inimigos, um leão furioso!

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Precisando sair à rua, D. Bosco tenta, mas é impedido pelo cão. Com isso, ele desiste de sua saída. No dia seguinte foi informado que um grupo armado o havia esperado a pouca distância. Seu fiel amigo pressentira o perigo e o salvara mais uma vez!

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Uma epidemia de cólera atinge a cidade. Todos os membros da casa real fugiram, seguidos por muitos outros. Os mais cautelosos não saem de casa. O número de vítimas cresce a todo instante.

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Um decreto municipal manda que todos os doentes sejam levados para os hospitais. Entretanto, não há mais vagas. Os médicos e enfermeiras fogem do local; há gente morrendo sem assistência.

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Em julho de 1854 a cólera-morbo invadira Turim de modo violento. Os primeiros casos se verificaram nos dia 30 e 31 de julho. O epicentro da pestilência foi o bairro do Dora, a poucos passos de Valdocco. Num só mês 500 morreram. No dia 5 de agosto D. Bosco fala aos rapazes. Começa com a promessa: “Se vocês se puserem na graça de Deis e não cometerem nenhum pecado mortal, eu lhes garanto que ninguém será atingido pela cólera. Sabem que o Prefeito lançou um apelo. Há necessidade de enfermeiros e assistentes para cuidar dos coléricos. Mas se alguns dos maiorzinhos tiverem coragem de me acompanhar nos hospitais e às casas particulares, faremos juntos uma obra boa e agradável a Deus.

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Muitos aderem àquele plano de auxílio. Foram dias de trabalho duro e nada agradável. Mamãe Margarida providenciava cobertores do Oratório. Em breve, tudo acabou. Uma mulher doente precisava ao menos de um lençol. Como não tinham mais nada, ela tirou a toalha do altar e deu, dizendo: “Jesus não vai reclamar”.

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A epidemia de cólera finalmente estava afastada de Turim. Os meninos de Dom Bosco já voltavam ao ritmo normal de colégio, com aulas e brincadeiras. Com a proteção de Nossa Senhora, nenhum deles adoeceu.

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D. Bosco cativava cada vez mais os jovens, com sua bondade e simpatia. O rebelde João Cagliero tornar-se-á no futuro missionário na Argentina e depois cardeal. Miguel Magone, antigo chefe de delinquentes é agora o líder dos colegas.

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Um dia, D. Bosco recebe a visita de um jovem. Chama-se Francisco Besucco. Ele ouvira falar de Bosco e seus garotos e disse estar interessado em estudar, brincar e ser alguém no futuro. Em sua casa vivia como pastor de ovelhas e gado.

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Miguel Rua,o garotinho dos velhos tempos a quem certa vez ele propôs uma sociedade com 50% cada um, é agora moço e mais maduro, e finalmente entende o significado daquela sociedade: tornar-se-á sacerdote no dia 29 de julho de 1860, e como Bosco, dedica-se por inteiro ao bem dos jovens. Ele será o primeiro sucessor de seu mestre.

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Um dos alunos de Dom Bosco, Domingos Sávio, nasceu em Riva de Chieri, em 2 de abril de 1842 e morreu em Mondonio di Castelnuovo d’Asti, no dia 9 de março de 1857. Toda a sua vida foi composta por uma busca da santidade segundo a fé católica. O amado e jovem Domingos Sávio teve uma vida de muita sensibilidade e em pouco tempo percorreu um longo caminho de santidade, obra mestra do Espírito Santo e fruto da pedagogia de são João Bosco. Aos doze anos de idade ocorreu um fato decisivo em sua vida: o encontro com São João Bosco, que o acolhe, como padre e diretor, em Valdocco (Turim) convidando-o para cursar os estudos secundários. O fato aconteceu no dia 2 de outubro de 1854.

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Ao descobrir então os altos ideais de sua vida como filho de Deus, apoiando-se na amizade com Jesus e Maria, lança-se à aventura da santidade, entendida como entrega total a Deus. Por amor, reza, coloca empenho nos estudos, sendo o companheiro mais amável.

Sensibilizado no ideal de são João Bosco, “Dai-me almas” deseja salvar a alma de todos e funda a companhia da Imaculada, da qual sairão os melhores colaboradores do fundador dos salesianos.

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Tomado por uma grave enfermidade aos quinze anos, regressa ao lar paterno da aldeia de Mondonio (município de Castelnuovo d’Asti), onde morre serenamente com a alegria de ir ao encontro do Senhor, exclamando aos seus pais: “adeus queridos pais, estou tendo uma visão linda! Que lindo!” O papa Pio XII o proclamou santo em 12 de junho de 1954.

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Um antigo sonho de D. Bosco é ter um grupo permanente de colegas para cuidar dos jovens abandonados. Procurou então o Ministro que lhe diz que, se quiser fazer algo nesse campo, deve fundar uma sociedade de religiosos que sejam, ao mesmo tempo, livres cidadãos perante o Governo.

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No dia 18 de fevereiro de 1858 D. Bosco segue para Roma e no dia 9 de março tem a primeira audiência com o Papa Pio IX. Na conversa acena para a ideia de fundar uma congregação adaptada aos tempos, aprovada pelo Papa. No dia 24 de março, segunda audiência. O Papa recomenda que ele ponha em prática a ideia de criar uma nova congregação, com regras suaves e de fácil observância. Talvez seria melhor chamá-la de Sociedade e não de congregação. No dia 6 de abril tem mais uma audiência com o Papa e D. Bosco volta a Turim no dia 14 de abril.

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No dia 9 de dezembro de 1859, D. Bosco julga ter chegado a hora de falar abertamente de Congregação religiosa. Aos 19 “salesianos” reunidos no seu quartinho, fala aos jovens sobre suas intenções. Deu uma semana para eles pensarem no assunto e depois responderem se iriam “ficar para sempre com Dom Bosco”. No dia 18 de dezembro reuniu novamente. Dos 19, 17 apareceram e deram seu sim. Serão Salesianos e farão parte da Sociedade de São Francisco de Sales, nome escolhido para a nova fundação.

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O nome “Salesiano” era derivado do patrono São Francisco de Sales, o homem cuja característica era a doçura e a caridade. -”Inspirai confiança aos jovens. Fazei-vos amar, fazei-vos um deles. Procurai prevenir o mal e não puni-lo”.

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Certa noite, em sonho, Bosco vê uma senhora majestosa que lhe mostra um enorme terreno. E como por encanto logo aparece ali um templo grandioso. -”Neste lugar quero que o meu nome seja glorificado. Esta é a minha casa, daqui sairá minha glória.”

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Depois do sonho, Bosco conseguiu comprar o terreno e preparava-se para começar a construção de uma grande santuário, dedicado à Nossa Senhora Auxiliadora. Sabia que lutaria com dificuldades, até mesmo para comprar meia dúzia de tijolos, mas sua fé em Nossa Senhora era inabalável. A obra iniciou em 1863 e foi retomada em março de 1864. Na época ele tinha apenas oito vinténs nos bolsos.

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Realmente, nunca faltou nada para a construção. Dia 9 de julho de 1868 os sinos anunciavam a solene consagração do templo e a missa de inauguração é realizada. D. Bosco mandou pintar um grande quadro para colocar na Igreja. A obra foi feita pelo pintor Lorenzone.

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Quadro pintado por Lorenzone, que está na Basílica de Maria Auxiliadora, em Turim.

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Quatro anos mais tarde, Bosco ergue novo monumento: o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. -”Vosso nome representa algo muito querido ao meu coração: sois Filhas de Maria Auxiliadora. Por vosso intermédio a Mãe de Deus quer ajudar as jovens simples do povo. Sereis muitas. Tantas que nem podeis imaginar!” No dia 5 de agosto de 1872, as primeiras 15 Filhas de Maria Auxiliadora recebem o hábito religioso. Onze fazem votos trienais. Inclusive Maria Mazzarello, que será a primeira Madre do novo Instituto. Isso tudo aconteceu na cidade de Mornese.

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Santa Maria Domingas Mazzarello

A 9 de Maio de 1837, nasce em Mornese-Piemonte, no Norte da Itália, Maria Domingas
Filha de camponeses depressa aprendeu a arte de trabalhar a terra. O seu pai, exerceu grande influência na sua formação pois era um homem honesto e cristão empenhado.

Na casa de campo da Valponasca distinguiu-se também pelo grande amor a Jesus Eucaristia: à noite, abeirava-se da janela do sótão que dava para a Igreja e aí adorava Jesus. O seu dia começava pelas 4 da manhã. Ia à Igreja da aldeia para participar na Eucaristia diária e pelas 7 já estava em casa para retomar a dura vida do campo.

Tudo decorria com normalidade entre o trabalho do campo, e os empenhos do grupo da Imaculada, quando em 1860, rebenta a grande epidemia do tifo. Maín, como era conhecida, foi assistir uns familiares que recuperaram do mal mas em contrapartida contraiu ela a doença. Cura mas fica debilitada e impossibilitada de trabalhar no campo. Os planos de Deus são muitas vezes imprevisíveis mas são sempre planos de amor. Maria vai rezando e pedindo conselhos sobre o seu futuro especialmente ao P. Pestarino, responsável pelo grupo da Imaculada. A luz surgiu e, com a amiga Petronila, começou a aprender costura com o alfaiate da terra. Em breve estavam preparadas e abriram uma sala de costura para ensinar a catequese e ajudarem as meninas da terra a ganhar a vida honestamente. Os pedidos para acolherem meninas órfãs não se fizeram tardar e assim surgiu o 1º internato.

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Entretanto em Turim, na mesma zona do Piemonte, D. Bosco, fundou uma obra para rapazes da rua e depressa obteve a aprovação do Santo Padre. Foi o mesmo que interpelou D. Bosco a fazer pelas meninas o mesmo que estava a realizar pelos rapazes. Pouco depois D. Bosco sonhou que um grupo de meninas pobres corriam ao seu encontro pedindo que cuidasse delas. Por esse tempo, D. Bosco encontrou-se num comboio com o P. Pestarino. Falaram do trabalho em favor da juventude e o P. Pestarino convida D. Bosco a ir a Mornese e aí entra em contacto directo com Maria Mazzarello, as suas colegas e a obra que as Filhas da Imaculada, grupo de leigas fundado pelo P. Pestarino, faziam. D. Bosco percebeu que aí estavam os recursos humanos para iniciar a missão em favor da educação das meninas.

A 5 de Agosto de 1872 nasce oficialmente o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. Maria Domingas Mazzarello foi a primeira superiora. Foi amada por Irmãs e alunas e conseguiu, com o seu exemplo, ajudar as inúmeras dificuldades e pobreza dos inícios.

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Faleceu com 44 anos, a 14 de Maio de 1881. O Instituto nessa altura tinha casas na Itália, França e na América Latina. Às Irmãs e jovens escreveu, estimulando-as a viver sempre na alegria, que é fruto da união com Deus e da confiança em Maria Auxiliadora. Hoje, o exemplo da sua vida, continua a animar outras jovens a percorrer o mesmo caminho de dedicação a Deus, servindo a juventude.

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De dia Bosco trabalhava e à noite escrevia, usando a mesma arma dos inimigos do bem. Fundou uma revista popular mensal – “Leituras Católicas”

-”Os inimigos dos jovens lutam sem parar. Por isso, nós também só descansaremos no céu!” Também nisso queria imitar a São Francisco de Sales, que usou a imprensa como meio para divulgar a fé católica.

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D. Bosco sonhou com uma região imensa e plana. Viu chegarem em sua direção homens perversos e guerreiros. O chão estava cheio de vítimas.

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No extremo da planície, um grupo de salesianos aproximava-se para pregar a religião de Cristo. Os selvagens, ao vê-los, lançaram-se com fúria sobre eles e os mataram.

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Outros missionários se aproximam, tendo jovens à frente. Bosco quer fazê-los recuar para escaparem do perigo. Mas ao verem os garotos e os salesianos, os guerreiros despojam-se das armas e tornam-se mansos cordeiros.

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A seguir, os missionários juntam-se a eles e ajoelham-se. Os selvagens fazem mesmo largando suas armas. Assim foi sonho de D. Bosco.

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D. Bosco enviará onze expedições missionárias. No dia 11 de novembro de 1875, D. Bosco entregou o crucifixo de missionário para os dez primeiros salesianos. Seu destino era a América do Sul e foram chefiados por João Cagliero, um dos primeiros alunos. D. Bosco os acompanhou até Gênova, para o embarque.

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-”procurai os necessitados e não as riquezas ou honrarias. Cuidai de modo especial dos jovens, dos doentes e dos pobres. Assim, tereis as bênçãos de Deus e a amizade de todos.” A 14 de dezembro de 1875 chegavam a Buenos Aires.

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Depois de estruturada a congregação na Itália e no exterior, Bosco começou a lançar as bases dos salesianos cooperadores, ou salesianos externos: professores, pais de família, jornalistas e advogados tornaram-se ativistas da juventude como ele. Desde os primeiros tempos do Oratório, D. Bosco tinha cooperadores para a sua Obra. Em 1876 D. Bosco deu-lhe forma definitiva. No início chamava-se “Pia União”. Escreveu um regulamento, enviando-o ao Papa para sua aprovação. Chegou com um “breve” de Pio IX em 9 de maio de 1876.

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Para manter unido esse grupo de apóstolos cristãos, iniciou a publicação do “Boletim Salesiano” uma revista mensal que informava, orientava e estabelecia planos de ação e métodos de trabalho. O primeiro número saiu um agosto de 1877. D. Bosco mandava entregar “a quem quer e a quem não quer”.

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Os trabalhos missionários tomaram tal vulto, que mais elementos preparados eram sempre requisitados. Para atender candidatos do interior e da cidade, que não tiveram oportunidade para estudar, Bosco abriu cursos para seminaristas adultos, em regime intensivo de tempo integral.

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Em Roma, o Papa Leão XIII chama Bosco e lhe confia uma tarefa: a construção do Santuário do Coração de Jesus. Mesmo sem receber nenhum dinheiro para o empreendimento, ele aceita a incumbência. Sua única solicitação é construir ao lado urna casa para meninos pobres.

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Quanto mais cresciam suas obras para a juventude, tanto mais o dinheiro se tornava escasso. Como peregrino dos jovens, saiu a pedir auxílio na Itália, França e Espanha. Na França D. Bosco foi buscar recursos para a construção da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, obra que o Papa o tinha encarregado de fazer. Ficou 4 meses, percorrendo cidades, de 31 de janeiro a 31 de maio de 1883.

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Mesmo já castigado pelos anos, D. Bosco saiu à procura de meios para construir o Santuário. Em Barcelona, um jovem lhe suplica que o ajude a enxergar. Ele convida o cego a rezarem juntos, pois assim, com fé, Nossa Senhora lhe traria a graça da visão.

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Voltando da França, D. Bosco confidenciou ao padre Rua, ainda no trem: -”Miguel, lembra daquela choupana da colina dos Becchi? É a minha casa. Que diriam meus amigos de Paris, se soubessem que todos os triunfos eram dirigidos a um pobre pastor de vaquinhas?”

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Depois de muitas dificuldades, finalmente o Santuário estava pronto. Na missa de consagração, no dia 14 de maio de 1885 D. Bosco se emociona. No dia 15 celebra a missa no altar de Maria Auxiliadora. Ele chorou muito nesta celebração. O P. Viglietti o acompanhava e perguntou, preocupado, no final da missa:

– que está havendo, Dom Bosco? Sente-se mal?

– Tinha diante dos olhos, viva a cena do meu primeiro sonho, aos nove anos. Eu via e ouvia minha mãe e irmãos discutindo o que eu tinha sonhado…

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Voltando a Turim, já não tinha mais força para caminhar. Suas palavras de despedida são um testamento de amor aos jovens. “Vamos fazer o bem a todas as pessoas. Diga aos meus jovens que os espero a todos no céu.”

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No dia 31 de janeiro de 1888, D. João Bosco deixava este mundo. Parecia mais um triunfo do que um luto o seu cortejo. A cidade parou para dizer-lhe um adeus de reconhecida gratidão.

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Beatificado no dia 2 de junho de 1929 e canonizado no dia 1 de Abril de 1934 por Pio XI. O Papa João Paulo II por ocasião do centenário da morte declarou-o: “Pai e Mestre da Juventude”.

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