Qualidade de vida emocional e afetividade

        A saúde mental é um dos elementos fundamentais para uma boa qualidade de vida no planeta. Porém, estudos mostram que está cada vez mais difícil alcançar essa qualidade, visto que valores e regras que sustentam o equilíbrio do indivíduo na sociedade estão sendo negados.

         Dentre os critérios de saúde mental estão o respeito e o cuidado de si mesmo, pelos outros, pelo planeta, seus animais e vegetação. Cuidar é um ato consciente que pode ser ensinado. É um dos maiores geradores de prazer que o ser humano conhece. Cuidar dos filhos adequadamente pode ser o início de uma grande transformação individual e social.

         A afetividade é a dinâmica humana mais profunda e complexa que podemos experimentar. Inicia-se a partir do momento em que um sujeito se liga a outro, a partir do amor, um sentimento único, mas que traz outro sentimento complexo e profundo, que é o medo da perda deste amor.

         Quanto maior o amor, maior o medo da separação, da perda e da morte. Esse medo pode desencadear outros sentimentos como ciúme, raiva, ódio, inveja, saudade… A afetividade é a mistura de todos esses sentimentos, e aprender a cuidar adequadamente de todas essas emoções é que vai proporcionar ao sujeito uma qualidade de vida emocional.

(Parte do texto Dr. Ivan Roberto Capelatto com o titulo: Afetividade – Seus limites e sua ética)

Por que dizer vinde Espírito Santo se ele já está em nós?

 nsaux         Não será incoerência pedir mais do Espírito Santo ou rezarmos dizendo “vinde Espírito…, se já recebemos o Batismo, se somos templos do Espírito, se confirmamos no Sacramento da Crisma? Para nos ajudar nesse entendimento utilizarei o ensinamento de dois grandes doutores da Igreja: Santo Tomás de Aquino, em sua Teologia das Missões Divinas, explica que “dizer que uma Pessoa Divina vem, não significa dizer que ela se desloca de um lugar onde estava para um onde nunca estivera antes. Não! O Espírito Santo já está em tudo e em todos – em nós, de maneira singular, como dom de habitação, de modo sobrenatural, pela graça do Sacramento. Quando dizemos ‘vem’, Ele, que já está, se manifesta atualizando a graça de Sua presença, provocando em nós uma mudança na linha dessa mesma graça (pois que Ele, por Sua vez, é imutável”… Santo Agostinho (Commento AL Vangelo di Giovanni, Omelia 74,2) ensina: “O importante é ter presente que sem o Espírito Santo nós não podemos nem amar a Cristo nem observar os Seus Mandamentos, e que tanto menos podemos fazê-lo quanto menos tivermos do Espírito Santo, enquanto tanto mais podemos fazê-lo quanto maior for a abundância que d’Ele tivermos. Não é pois sem razão que o Espírito vem prometido, não somente àqueles que não o tem, mas também àqueles já o possuem: a quem não O tem para que o tenha, a quem já O possui para que O possua em medida mais abundante. Porque se não se pudesse possuir o Espírito Santo em medida mais ou menos abundante, o profeta Eliseu não teria dito ao profeta Elias: ‘O Espírito que está em ti, esteja em dobro em mim (II RS 2,9)’”. “Quando essa ‘vinda’ do Espírito ocorre à maneira de uma efusão, de uma maneira crítica na vida da pessoa, chamamo-la comumente de ‘batismo no Espírito’, e ocorre o que Santo Tomás chama de promotio, uma promoção, um progresso: de um (já) precedente estado de graça a um novo estado de graça. Algo acontece que faz a pessoa avançar ‘em um novo ato ou novo estado de graça’, diz Santo Tomás”.

          João Paulo II, hoje Beato, em 14 de março de 2002, fazia a seguinte exortação: “Com insistência fervorosa, não vos canseis de invocar: ‘Vem, ó Espírito Santo! Vem! Vem!’”.

Com base no texto de Reinaldo B. Reis de Abril 2012.

Paulo Roberto Ragnini – Grupo de Oração

O Ano da Fé

nsaux“Um convite a nos tornarmos sinais vivos da presença do Ressuscitado no mundo”.

           Em outubro deste ano, o Papa Bento XVI abriu o Ano da Fé, com um convite para todos os fiéis católicos: o de buscarem “uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador de mundo” (Bento XVI, Carta Apostólica Porta Fidei). Pode-se dizer que o são dois os principais motivos da instituição desse Ano: celebrar o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II (1962 – 1965) e comemorar os vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, aprovado com a finalidade de “ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé”.

          O Ano da Fé se encerrará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de novembro de 2013, durante esse ano seremos convidados (1) a intensificar a reflexão sobre a fé, ajudando “todos os fiéis em Cristo a se tornarem mais conscientes e a revigorarem sua adesão ao Evangelho”; (2) a confessar a fé em todos os lugares; (3) seremos motivados a descobrir novamente os conteúdos da fé “professada, celebrada, vivida e rezada”.  Sem dúvida se trata de um tema vital para a Igreja e para a vida espiritual de cada um de nós, de nossas famílias e do próprio futuro da humanidade.

          A nossa fé supõe um testemunho e um compromisso público. Ela tem como fundamento o Senhor Ressuscitado. Ao longo do Ano fé deveremos manter o olhar fixo sobre Jesus Cristo, “autor e consumador da fé” (Hb 12,2). Porém, ter o olhar em Jesus Cristo deveria ser uma exigência de todos os dias e em todos os anos. Nele tudo encontra plena realização. Tanto a vida cristã como a nova evangelização, nascem de uma fé amadurecida.

          Ilumine-nos as palavras de São Pedro: “Sem terdes visto o Senhor, vós o amais. Sem que agora o estejais vendo, credes nele. Isto será para vós fonte de alegria inefável e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (I Pe 1,8-9).

 O Grupo de Oração se reúne todas às quartas-feiras (20:00horas) na sala de reuniões da Paróquia.

                                                                                                  Coordenação

É tão importante a participação na vida de uma paróquia?

nsauxESTOU PECANDO SE NÃO PARTICIPAR ATIVAMENTE?

              O batismo é a porta e o fundamento da comunhão na Igreja. A Eucaristia é a fonte e o ápice da vida cristã.

             A paróquia é a família de Deus animada pelo espírito de unidade. Aqui os leigos são convidados a participar da missão da Igreja de levar o Evangelho de Cristo a todos.

             Quando se trata da responsabilidade de participar de uma Igreja, o Novo Testamento não deixa dúvida. Além de muitos exemplos no Livro dos Atos e nas Epístolas, encontramos instruções que exigem a nossa participação na vida da Paróquia. O autor de Hebreus condena a atitude de pessoas que deixam de participar na vida da Igreja, porque negligenciam seu papel importante na edificação mútua (Hb 10,23-27). Outras instruções exigem a nossa participação nas reuniões da Igreja para participar da Ceia do Senhor (I Cor 11,17-34; At 20,7), para juntar ofertas (I Cor 16,1-3; At 4,36-37; 5,1-2) e para resolver questões de falhas e pecados na comunidade (I Cor 5,4-5). Os discípulos de Cristo se juntam, também, para cantar hinos de louvor e edificação (Ef 5,19-21) e para ensinar a palavra do Senhor (I Cor 14,26).

             Pessoas que negligenciam estas responsabilidades, não participando da Missa, dos cultos e reuniões da comunidade desobedecem a Deus. Pecam contra os irmãos e contra o Senhor.

             A Igreja paroquial é minha casa, é o meu núcleo de fé e vida. A nossa fé nos agrega numa grande família que é a Igreja, de maneira mais particular a Paróquia, onde colocamos em prática nossa fé. Na Paróquia recebo o suporte necessário para crescer na formação humana, na espiritualidade e nos tesouros sacramentais para minha salvação.

             Tomemos por modelo os primeiros cristãos: “Os que receberam a Sua Palavra foram batizados. Perseveravam na Doutrina dos Apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações” (cf. At 2,41-42).

             Assim como é preciso fazer uma experiência com Cristo para segui-lo, é preciso fazer uma experiência com a comunidade de fé, a Igreja, extensão do Corpo de Cristo da qual sou membro. A comunidade é necessária para que minha fé não seja estéril, morta, sem obras. Na comunidade paroquial, eu faço uma experiência de vida fraterna que faz toda a diferença no mundo de hoje. Nós os cristãos, hoje, somos chamados a resgatar: o sentido de casa de nossas paróquias, casa de comunhão e fé, ressurreição e vida, como faziam os primeiros cristãos. Somos chamados a fazer crescer em nós o verdadeiro sentido de ser Igreja: “Eu sou e também faço a Igreja. Sou discípulo de Jesus Cristo e estou neste caminho por Ele em primeiro lugar”.

             Antes de qualquer obrigação, o meu relacionamento com Deus deve ser por amor e o meu compromisso concreto exige tempo e espaço para se atualizar, por isso, a minha Paróquia é lugar de encontro com Ele e com meus irmãos na fé, onde eu alimento a minha experiência e vida com o Senhor. Não existe uma experiência autêntica de Jesus Cristo fora da comunidade, nela sou formado na Palavra, no Altar, no testemunho e na doação de minha vida.

 (Com base no texto do Pe. Francisco Sehnem, scj)

O Grupo de Oração se reúne todas às quartas-feiras (20:00horas) na sala de reuniões da Paróquia.

 

Coordenação

Igreja Católica Apostólica Romana

“Eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (MT 16,18).

          No tempo de Jesus os romanos condenavam a morte, pela crucificação, alguns presos. São Pedro foi martirizado em Roma e condenado a crucificação, tendo como último pedido, que fosse crucificado de cabeça para baixo, por não se achar digno de morrer como Jesus Cristo.

Foram realizadas algumas escavações arqueológicas em Roma, sendo localizado um túmulo sob a Basílica Vaticana, com inscrições a carvão, com menções honrosas a São Pedro. Podemos dizer que a Igreja de Cristo, de fato, fora edificada sobre a Rocha (Pedro).

Durante décadas, Roma foi o Império mais poderoso. Em 330, o filho de Santa Helena, o Imperador Romano, Constantino, se converteu ao Cristianismo e proibiu a perseguição aos Cristãos através do “Edito de Milão”. Como também, transferiu a Capital do Império par Bizâncio (hoje Istambul, na Turquia). Roma ficou sendo administrada por um conselho ligado ao Imperador. Com o passar do tempo, o Império foi perdendo interesse por Roma, no Ocidente.

Por conta desse descaso, a figura do Bispo de Roma crescia cada vez mais, tendo feitos inimagináveis, como de convencer alguns bárbaros a desviarem seu caminho e deixar Roma intacta de sua pilhagem.

Com feitos como esse Roma deixou de ser devastada diversas vezes. Era comum à época nobres doarem bens em nome do crescimento da Igreja, aumentando os bens da Igreja. Com isso, a pessoa do Santo Padre crescia como Pai Espiritual, carregando consigo a sina de ser um Tutor Público dos Bens de Roma, passando o legado de um Papa a outro.

Com o passar do tempo, vários governantes da Itália e do Mundo tentaram retomar a sede romana. Porém, esta disputa terminou em 11/02/1929, com o Tratado de Latrão, reconhecendo a absoluta soberania do Papa como chefe da Cidade do Vaticano, o menor Estado Mundo, que recebeu o direito Diplomático entre os demais Estados, ou seja, o Vaticano tornou-se um país.

Com isso, podemos dizer com vontade: Sou Católico, Apostólico Romano!

(Com base no texto do Ir. Gregório Duarte Bastos Obl. OSB)

Fé, Dom e Graça de Deus

          nsauxA fé não é mérito humano, mas obra do amor de Deus. A vida cristã se move na compreensão do amor de Deus por nós e de nossa resposta a Deus.

          O Papa Bento XVI nos conclama para celebrarmos o Ano da Fé num mundo que tenta viver sem Deus. Porém, sem Deus a existência humana não se explica em seu sentido maior. Sem fé que nos vem de Deus o cristianismo perde a força e o dinamismo como anúncio da Salvação.

Tendo Jesus Cristo como o nosso único Salvador e Redentor, o Ano da Fé, trata-se de conhecer, de amar e de viver melhor a mensagem do Evangelho e de conhecer mais de perto as grandes verdades e ensinamentos da Igreja de Cristo. Trata-se de entender melhor o que significa viver como cristão no mundo de hoje.

Recentemente, Bento XVI nos disse: “nas grandes religiões do mundo a fé corre o risco de se apagar como uma chama que já não encontra alimento. Por isso, estamos enfrentando uma profunda crise de fé, uma perda do religioso, que é um desafio para a Igreja de hoje”.

O Ano da Fé foi proclamado com o objetivo de tirar os cristãos do cansaço da fé e de tornar Deus presente em nossa vida novamente. É necessário renovar a vida cristã por um anúncio mais vigoroso do Evangelho e pela transmissão da doutrina católica contida no Credo.

“Desejo que o Ano da Fé possa contribuir para tornar novamente Deus presente neste mundo e para abrir aos homens o acesso da fé” (Bento XVI, proclamação do Ano da Fé).

(Com base no texto do Pe. Evaristo Debiasi)

 O Grupo de Oração se reúne todas às quartas-feiras (20:00horas) na sala de reuniões da Paróquia.

                                                                                                  Coordenação.

Como Ir A Igreja? – Parte II

          Na publicação passada, vimos sobre 04 orientações de uma editora italiana, sobre normas de comportamentos para os fiéis (Cuide da casa de Deus como se fosse a sua casa; Quando entrar numa Igreja, cumprimente o dono da casa; Vista-se com decência, quando participar de uma cerimônia religiosa; Procure chegar na hora certa!). São orientações para os que forem participar de atos religiosos. Seguem outras 04 com o comentário de Dom Murilo S. Krieger.

 5ª) “Participe ativamente de todo o ato religioso”. As celebrações são expressões da oração comunitária. Jesus nos garantiu Sua presença quando duas ou três pessoas se reunirem em Seu Nome (cf. MT 18,20). Imagine-se a força de Sua presença quando formos quinhentos, mil ou dois mil. Por isso, é importante nossa expressão de unidade com todos os que estão ali conosco, naquele momento de prece.

6ª) “Tome conta das crianças, para evitar que elas perturbem muito”. É bom, é muito bom levar as crianças para a Igreja. Elas têm uma incrível capacidade de relacionar-se com Deus – basta que alguém as eduque para isso. Que elas nem sempre se sentem à vontade em uma celebração, também é normal. O que não convém é permitir que elas, sistematicamente, distraiam os que estão em sua proximidade. Afinal, são simpáticas, bonitas e engraçadinhas, e prendem mais a atenção do que o melhor orador, mesmo que sacro…

7ª) “Terminada a Celebração, colabore com o clima de concentração e oração do ambiente”. Quantas pessoas, terminada a Missa ou outra Celebração, gostam de ficar na Igreja. E isso é bom! A Igreja tem o dom de facilitar a oração e, num mundo tão dispersivo com o nosso, é importante que se aproveite ao máximo as oportunidades que nos forem concedidas para momentos assim.

8ª) “Lembre-se de desligar o celular antes de começar a Celebração!” É preciso fazer algum comentário?

Em síntese: uma Celebração religiosa não é apenas um ato religioso; é, também, um ato social.

        Paulo Roberto Ragnini

Como Ir A Igreja? – Parte I

          Uma editora italiana lançou um livro com normas de comportamentos para os fiéis. São orientações para os que forem participar de atos religiosos. Seguem algumas dessas orientações com o comentário de Dom Murilo S. Krieger. “Acredito que um pouco de etiqueta não faz mal”.

 1ª) “Cuide da casa de Deus como se fosse a sua casa”. Nossas Igrejas são construídas com a colaboração de toda a comunidade. Quem já participou de uma comissão de construção sabe quanto sacrifício é necessário até se chegar à sua inauguração. Também a manutenção de uma Igreja exige muita atenção e gastos. Por isso, cuidar do que foi conseguido com muito trabalho é um respeito para com os que colaboraram, além, é claro, de ser uma demonstração de atenção para com uma obra que passou a ser consagrada ao Senhor.

2ª) “Quando entrar numa Igreja, cumprimente o dono da casa”. A casa do Senhor é uma casa de oração. Não entramos nela para nos desligar das preocupações do mundo; entramos ali para levar ao Senhor nossas preocupações e colocá-las em Suas Mãos; entramos para louvá-Lo e agradecer-Lhe os dons recebidos; ou, humildemente, para pedirmos Seu perdão por nossas infidelidades. Na Igreja, o Senhor deve ser o centro de nossas atenções.

3ª) “Vista-se com decência, quando participar de uma cerimônia religiosa”. Deveria ser óbvio, mas para algumas pessoas não o é: nem toda roupa é adequada para qualquer lugar. Há roupas que podem ser adequadas para uma festa de aniversário, mas não servem para se ir a um velório. Um pouco de bom senso (e de respeito!) não faria nada mal.

4ª) “Procure chegar na hora certa!” Para uma boa participação, é importante a concentração. Chegar antes é garantir a possibilidade de um tempo para oração pessoal. Nesse ponto, um pouco de organização da própria vida só trará benefícios para a fé.

Na próxima edição apresentaremos mais 04 orientações. Até lá!

Paulo Roberto Ragnini

A Liturgia

Sacrossanctum concilium

 1. Um sinal de renovação da Igreja. O primeiro documento do Concílio Vaticano II é a Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium, sobre a Liturgia. As novidades colocadas para uma profunda reforma da liturgia sinalizavam o caminho que o Concílio percorreria em seus próximos estudos.

2. A importância renovadora da Sacrossanctum Concílium. Na verdade, é a liturgia que mais atinge, de modo direto e abrangente, a vida dos católicos. Através de um retorno histórico-teológico às fontes dos ritos litúrgicos e de simplificá-los, o Concílio quis que os católicos todos tivessem a melhor compreensão possível da liturgia e nela tivessem participação ativa. A reforma e renovação da liturgia causaram um impacto impressionante.

3. Ensino doutrinal de máxima importância. Até então sem destaque, ocupou o primeiro lugar: no centro da liturgia está o mistério Pascal (n. 5-13). Óbvio porque a missão essencial da Igreja é anunciar a salvação, trazida por Jesus Cristo a todos os homens e mulheres. Operada pela morte e a ressurreição do Cristo, essa salvação é atualizada e inserida na vida de cada ser humano ao longo da História pelos ritos litúrgicos, especialmente dos sacramentos e da celebração da Palavra de Deus. O Concílio definiu que a liturgia é a “fonte” e o “cume” da vida da Igreja (n. 10). Algo inédito na época: Cristo se torna presente de muitas maneiras na liturgia: não apenas nos sacramentos, em particular sob as espécies eucarísticas, e no celebrante – in persona Christi -, mas também na Palavra de Deus, lida, recebida e assimilada na fé, assim como na assembléia dos fiéis que ora em seu nome (n. 7). Tudo isso era uma revolução na Igreja Católica.

4. A participação dos fiéis. Da Sacrossantum Concilium em diante, os documentos do Concílio martelam que é essencial a participação dos fiéis em tudo na vida da Igreja, até ali excessivamente clerical (n. 48). Em virtude do sacerdócio dos batizados, todos participam plenamente da ação comum que é de Cristo e da Igreja (n. 28). E para isso é introduzido o uso da língua de cada povo e se pede a renovação da homilia, da música sacra, do canto e dos ritos, e autoriza-se a concelebração (n. 57).

5. Esquema da Sacrossanctum Concilium. Seu título oficial é “Sobre a Sagrada Liturgia”. Títulos dos Capítulos: 1) “Princípios gerais para a reforma e incremento da liturgia”; 2) “O Sagrado Mistério da Eucaristia”; 3) “Os outros Sacramentos e os Sacramentais”; 4) “Do Ofício Divino”; 5) “O Ano Litúrgico”; 6) “A Música Sacra”; 7) “Da Arte Sacra” e “Das Alfaias Litúrgicas”. No “Apêndice” está uma “Declaração do Concílio Vaticano II sobre a Reforma do Calendário” da Igreja.

6. O que é Liturgia. Curiosamente o termo significa, em suas origens “prestação de um serviço público”. No mundo grego, sobretudo em Alexandria, liturgia era qualquer prestação pública de serviço. A partir do século II A.C., a palavra liturgia, entra no mundo religioso pagão para significar o serviço do culto, prestado publicamente por pessoas determinadas, para o povo pedir, agradecer aos deuses e obter deles bons serviços.

Com facilidade o cristianismo, sobretudo a Igreja de Roma, adotou o termo e deu-lhe significados cristãos específicos, apoiando-se no culto hebraico e adaptando-o à cultura grega latina. Por ser um dos atos de maior visibilidade, muito representativo da fé cristã e que atinge mais diretamente os fiéis, a Igreja a solenizou e a colocou como um forte chamativo para os não cristãos (cf. SC 2).

7. Reforma, renovação e inculturação da Liturgia. A Constituição diz “a liturgia consta de parte imutável, divinamente instituída, e de partes susceptíveis de mudança” (SC 21). O Concílio quis deixar claro o que na Liturgia é imutável, como divinamente instituído, deve permanecer para manter a unidade substancial do rito romano. Mas ele quis também possibilitar e estimular a adaptação, melhor ainda, a enculturação, daquilo que é passível de modificação, por ser de índole cultural, estético, organizativo.

8. Formação litúrgica. Trata da educação litúrgica (formação dos professores de liturgia, dos seminaristas, dos presbíteros e dos fiéis) e da participação ativa de todos. Mas ainda é gritante a falta de formação litúrgica em nossa Igreja, sobretudo, de muitos presbíteros, frios, sem comunicação, ritualistas, meros leitores (às vezes maus leitores dos textos litúrgicos), rotineiros, amarrados á burocracia litúrgica. Do pouco que a Igreja oferece aos fiéis, a Liturgia Dominical e de alguns sacramentos, merece uma radical reviravolta para se chegar a um mínimo do que a SC propôs há 50 anos atrás e que deveríamos, em fidelidade ao Concílio, às exigência do Espírito Santo e às necessidades dos fiéis, termos avançado mais, muito mais.

(Com base no texto do Irmão Nery, fsc)

Crianças o futuro da nossa Igreja

          No futuro da nossa Igreja, qual a responsabilidade da família?

          Nem é preciso dizer que as crianças são o futuro das famílias, da sociedade e da própria Igreja. Portanto, se elas nascem, crescem sadias e forem bem educadas, teremos a garantia de muitas famílias bem constituídas e felizes.

O primeiro e mais importante componente formativo de uma boa criancaspersonalidade das crianças é o amor. E esse componente já deve estar muito presente no ato da concepção. Toda criança deveria ser concebida numa relação de profundo amor.

Bons casais que vivem e cultivam o amor fiel e indissolúvel são a garantia de famílias “ninhos de amor”. Famílias ninhos de amor são a garantia de filhos ajustados, realizados e felizes. Casais com filhos felizes são a certeza de uma sociedade melhor, mais feliz. Mas também é verdade que famílias católicas mais felizes são a garantia de uma igreja mais feliz e mais realizadora de sua missão de auxiliar as pessoas a viverem o núcleo central do Evangelho, que é o amor, já nesta vida, em preparação para uma vida divinamente feliz na eternidade. Família católica feliz é certeza de crianças e filhos felizes e de uma igreja muito melhor. É com essa compreensão que podemos afirmar que as crianças são o futuro da Igreja. Casais católicos esclarecidos procuram criar um clima religioso favorável em seu lar. Se o casal é religioso, se compreende a importância de Deus na vida dos filhos, e eles procuram levar um “Deus de amor” ao coração dos filhos, estes são evangelizados na “igreja doméstica” e passarão a integrar a comunidade católica. Essa participação levará os benefícios das riquezas espirituais da Igreja para esses filhos.

As crianças bem formadas num ninho de amor, e que recebem a herança da fé em família, fé fortificada pelo exemplo dos pais, terá a facilidade de crer num Deus de amor, e se relacionar com esse Deus, por meio das práticas de sua fé. E essas crianças, sim, são o futuro da Igreja. Se os pais não praticam, os filhos também deixam de praticar. Muitos desses pais fazem questão, mais por tradição do que por fé vivida, de que os filhos façam a Primeira Comunhão e a Crisma. Só que esses filhos após esses sacramentos não pisam mais na igreja, e tudo o que ouviram e aprenderam se dilui como “gelo ao sol”… não sobra nada. Estas crianças, estes filhos, não são nenhuma garantia de um futuro bom para a Igreja. Até pelo contrário.

Futuro para a Igreja só são os filhos de casais que tem uma fé esclarecida, uma religiosidade que envolve suas vidas, e que tem a responsabilidade de passar a herança da fé verdadeira para seus filhos, como sendo uma herança do mais alto valor. Por isso, a Igreja leva a sério a formação de boas famílias para que sejam “igrejas domésticas”. E também se empenha para dar a melhor formação religiosa para as crianças que consegue atingir com suas pastorais. Formando famílias “ninhos de amor” e “igrejas domésticas” a Igreja está dando a melhor contribuição para que a sociedade também seja muito melhor.

(Com base no texto do Pe. Alírio José Pedrini, scj)

A sociedade sem afeto… gerando uma sociedade indiferente, anestesiada

          nsauxAs instituições sociais perderam a função de acolher a angústia de seus membros. E as principais falhas da sociedade na formação da identidade psicológica são:

1. A busca do prazer imediato, negando o conflito afetivo. Prevalecendo o prazer sobre o afeto, destrói-se o amor.

2. Perde-se a noção do limite, fundamental para relação afetiva.

3. O dono da Lei não respeita a Lei, gerando sua falência. Sem lei não temos a referência da pessoa, gerando comportamentos violentos.

4. Perda da referência que define a quem pertenço. Falta do “herói”, do “paizão”; sentimentos que geram a sensação de incompletude. O “Ser” (quem sou) é substituído pelo “Ter” (como sou).

5. A falta da efetividade exige um substituto. E o que se encontrou foi a exacerbação da sexualidade, que se tornou compulsiva (prazer imediato e constante). A cura se faz pela introdução de mais contato afetivo.

6. Negação da diferença individual, gerando medo. Quando o indivíduo é selecionado (criticado, excluído ou desvalorizado) por sua diferença, torna-se agressivo. A diferença aparece como um “mal”. Transformar o outro num igual parece ser a solução. Mas isto só é conseguido com violência, destruindo a identidade do outro.

7. Troca do Ético pelo Estético. O sentimento pela perda torna-se insuportável, causado pelo medo de envelhecer (desinteresse pelo futuro ou medo da frustração causada pela falta). O estético atrela o indivíduo ao prazer imediato, intensificando a angústia de morte, que é a predominância da incapacidade de suportar frustrações de perdas.

A sociedade sem afeto estimula a perda da identidade. A referência identificatória desloca-se para o prazer e para a posse de objetos que proporcionem o prazer. A ausência de identidade gera a anarquia dos impulsos e dos sentimentos, impedindo o aparecimento do desejo, gerando uma sociedade indiferente, anestesiada, onde predomina o prazer imediato, sem a preocupação com o outro.

A solução é o resgate do papel afetivo das instituições sociais, principalmente da família, onde o acolhimento e a escuta da angústia torna o sujeito capaz de suportar frustrações, perdas e medos, e de se livrar do narcisismo primário, tornando-se solidário, grato e em condições de cuidar de si e dos outros.

(Com base no texto do Dr. Ivan Roberto Capelatto)

 O Grupo de Oração se reúne todas às quartas-feiras (20:00horas) na sala de reuniões da Paróquia.

Coordenação