Advento, tempo de esperança

Advento, tempo de esperançaadvento 2014

= Pe. João Chaves =

O mês de Dezembro está marcado inevitavelmente pela celebração do Natal. Antes porém de lá chegarmos, a Igreja oferece-nos o tempo de Advento: Quatro semanas que antecedem o Natal e nas quais é proposto de forma explícita aos cristãos o desafio de reverem a sua própria vida a fim de a tornarem mais digna dos dons de Deus.

Etimologicamente, Advento significa vinda ou chegada e faz referência à preparação da vinda de Deus em duas prospetivas: por um lado, indica o tempo de preparação para a celebração do Nascimento de Jesus e com ele o momento histórico em que Deus aparece visível na nossa natureza humana; por ouro lado, expressa a preparação para a vinda de Cristo no final dos tempos. Esta última prospetiva aparece de modo especial nas duas primeiras semanas, enquanto que a partir do dia 17 de Dezembro aparece principalmente a primeira prospetiva.

O advento recorda-nos que a nossa história vai de mãos dadas com a história de Deus. Recorda-nos um Deus que por amor se faz presente na história, homem como nós, para dar mais vida, e vida em abundância, à vida que homem já possui. O Advento abre-nos à dimensão escatológica do mistério cristão. Traz consigo um compromisso missionário e a necessidade de nos empenharmos para que a realidade do Reino de Deus seja uma realidade verdadeira e concreta na vida de cada homem, a começar por nós.

Se este é o trabalho que nos espera neste tempo, três são as personagens bíblicas que de alguma forma encarnam as atitudes oportunas a viver: Isaías, Nossa Senhora e João Batista.

Isaías, profeta que encarnou fortemente a esperança messiânica do Povo de Israel, anuncia com linguagem poética e metáforas lindíssimas a chegada do um novo reino, isto é, uma nova forma de relação dos homens entre si e destes com Deus.

João Batista, o último dos profetas do Antigo Testamento, anuncia o cumprimento desta esperança, convida o povo a preparar-se para acolher o Messias e declara-o já presente entre o Povo.

Nossa Senhora, modelo de acolhimento silencioso de Deus, aparece de modo marcante na celebração da Solenidade da Imaculada Conceição, dia 8 de dezembro, como protótipo da humanidade redimida e daquilo que todos somos chamados a ser.

Para podermos viver dignamente o Advento, porém, impõe-se uma atitude de fundo determinante: a vontade de encarnar a virtude da esperança. A esperança é a atitude de quem não vive conformado com a sua situação atual mas que anseia por algo melhor. A esperança é a atitude daqueles que não se resignam a viver a vida de forma passiva. A esperança é a capacidade de ver mais além, de se projetar no futuro, de perceber os sinais que Deus oferece para construir algo sempre melhor. A esperança é a atitude própria de quem tem a coragem de sonhar, de desejar mais e mais, de querer ser mais, de querer superar-se. E tudo isto não porque se sente um super-herói ou melhor que os outros, mas porque vive confiado de forma vital no amor de Deus, fonte de toda a esperança.

Se nada se espera, se nada pode ser diferente, se nada nos faz falta, se estamos bem assim, como poderemos celebrar o Advento? Neste ano em que somos desafiados a dar vida sonho, o tempo de Advento estimula-nos a sonhar e a pôr mãos à obra para que o sonho se torne verdadeiramente uma realidade.