{"id":8658,"date":"2015-05-08T12:27:43","date_gmt":"2015-05-08T15:27:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.paroquiasaocristovao.net\/?p=8658"},"modified":"2015-05-08T12:27:43","modified_gmt":"2015-05-08T15:27:43","slug":"nao-deixemos-que-nos-roubem-o-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiasaocristovao.net\/?p=8658","title":{"rendered":"N\u00e3o deixemos que nos roubem o Evangelho"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/boletimsalesiano.org.br\/media\/k2\/items\/cache\/666186747472cea2e8b7b44fd124836d_L.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" \/>Como a miss\u00e3o da Igreja \u00e9 evangelizar, n\u00e3o podemos deixar por menos nosso compromisso mission\u00e1rio dentro do Projeto Pessoal de Vida. Nesse sentido, Francisco nos aponta elementos desafiadores.<\/strong><\/p>\n<p>Na trilha do pensamento do papa Francisco, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Alegria do Evangelho deparamos com o n\u00famero 97. \u00c9 um apelo de Francisco para que n\u00e3o caiamos em um mundanismo espiritual que facilmente pode nos levar a claudicar do Evangelho. Trata-se da ren\u00fancia consciente ou n\u00e3o do EU gerente da vida eclesial. Quer dizer, da capacidade de criar, empreender, dialogar, avan\u00e7ar para \u00e1guas profundas, ir \u00e0s fronteiras existenciais das pessoas. E tudo isso, dentro do pr\u00f3prio processo da Evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como a miss\u00e3o da Igreja \u00e9 evangelizar, pois \u201cela \u00e9 a causa de todas as causas, porque diz respeito ao destino eterno dos homens e responde ao des\u00edgnio misterioso e misericordioso de Deus\u201d (Jo\u00e3o Paulo II, Redemptoris Missio, 86), n\u00e3o podemos deixar por menos nosso compromisso mission\u00e1rio dentro do Projeto Pessoal de Vida. Nesse sentido, Francisco nos aponta os elementos desafiadores desse mundanismo espiritual que podem atrofiar a causa primeira da Igreja. Apresento cada um para que, na elabora\u00e7\u00e3o ou revis\u00e3o do Projeto de Vida, cada um de n\u00f3s saiba avaliar e projetar nossa a\u00e7\u00e3o \u00e0 luz do Mist\u00e9rio do Reino.<\/p>\n<p><strong>Mundanismo espiritual<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1, na an\u00e1lise de Francisco, duas formas que se entrela\u00e7am e refor\u00e7am o mundanismo espiritual: o fasc\u00ednio do gnosticismo e o neopelagianismo autorreferencial (EG 94). No fasc\u00ednio gn\u00f3stico, a pessoa se fecha na pr\u00f3pria raz\u00e3o, quer dizer, na sua verdade subjetiva. N\u00e3o aceita e nem busca o confronto-di\u00e1logo. Basta-se a si mesma. No neopelagianismo, a pessoa se coloca superior a todos. \u00c9 um EU r\u00edgido que n\u00e3o se abre a ningu\u00e9m e confia somente em si mesmo. Em ambos os casos, o cat\u00f3lico elimina Jesus Cristo e o pr\u00f3ximo. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a busca da verdade na interioridade da f\u00e9 e muito menos o desejo de encontrar o outro, pois o outro ser\u00e1 sempre considerado um inferno.<\/p>\n<p>Formam-se assim atitudes muito marcadas, que produzem no interior da comunidade eclesial uma forma de dom\u00ednio tanto pessoal como coletiva (EG 95). Francisco comenta isso de forma muito contundente:<\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O exibicionismo: carrega-se demasiado na liturgia pomposa, doutrina e prest\u00edgio da Igreja e se deixa muito aqu\u00e9m a inser\u00e7\u00e3o do Evangelho na vida do povo de Deus e nas realidades humanas concretas. A Igreja se transforma em \u00a0pe\u00e7a de museu e at\u00e9 de dom\u00ednio de poucos;<\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O fasc\u00ednio do poder: a preocupa\u00e7\u00e3o por conquistas sociais e pol\u00edticas, vangl\u00f3ria de tudo. Uma Igreja centrada sobre sua pr\u00f3pria sede de poder, carreirismo, ci\u00fames e invejas. Isso leva a um estilo de vida recheado de viagens, reuni\u00f5es intermin\u00e1veis e improdutivas, vida social regada a banquetes e festas; enquanto a evangeliza\u00e7\u00e3o e o contato com o povo permanecem esquecidos e atrofiados;<\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O funcionalismo empresarial: a consequ\u00eancia dessa vida eclesial distorcida desemboca em uma Igreja alimentada por estat\u00edsticas, muitos planejamentos e avalia\u00e7\u00f5es. Contudo, o povo de Deus n\u00e3o se beneficia de nada dessa organiza\u00e7\u00e3o. Perde-se o ardor mission\u00e1rio e vive-se em um narcisismo doentio mergulhado em um EU autossabotador, em que se perde o gosto de viver e de evangelizar.<\/p>\n<p>A Igreja assim organizada perde consideravelmente sua a\u00e7\u00e3o evangelizadora, que, mais que projetos expansionistas e de domina\u00e7\u00e3o, precisa estar a servi\u00e7o do ser humano. A hist\u00f3ria da Igreja, marcada por a\u00e7\u00f5es heroicas de homens e mulheres que n\u00e3o temeram dar a vida pela causa primeira do Reino, se resfria e as novas gera\u00e7\u00f5es perdem o vigor apost\u00f3lico. Tudo isso d\u00e1 lugar a uma Igreja de apar\u00eancias, anor\u00e9xica e inf\u00e9rtil, que distorce sua pr\u00f3pria autoimagem e morre aos poucos, sem for\u00e7as para rejuvenescer porque j\u00e1 n\u00e3o tem a energia interior do Esp\u00edrito e muito menos a beleza do corpo vivo com seus membros unidos \u00e0 videira (1 Cor, 12).<\/p>\n<p><strong>Dinamismo<\/strong><\/p>\n<p>Como recuperar o dinamismo diante do desafio do mundanismo espiritual? Para um Projeto Pessoal de Vida crist\u00e3 \u00e9 fundamental estar unido \u00e0 videira que \u00e9 Cristo. Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclica Redemptoris Missio (A Miss\u00e3o de Cristo Redentor), apresenta dois elementos fundamentais: o protagonismo do Esp\u00edrito Santo (RM, 21) e a Igreja a servi\u00e7o do Reino de Deus (RM 12). E o Esp\u00edrito opera tanto naqueles que anunciam como nos que escutam a mensagem (RM 21). Na verdade, quem nos d\u00e1 o mandato mission\u00e1rio e nos ilumina de dentro para fora \u00e9 o Esp\u00edrito Santo (Mt 28,18-20; Jo 20, 21-23 passim). Portanto, \u00e9 o Esp\u00edrito que torna a Igreja mission\u00e1ria (RM 26) e capaz de vencer o ego\u00edsmo e as atitudes elencadas por Francisco.<\/p>\n<p>Ainda mais, o Esp\u00edrito vai onde ele quer independentemente de n\u00f3s (Jo 3,8), embora conduza tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o da Igreja. Nesse sentido, a Igreja n\u00e3o prega a si mesma, n\u00e3o se fecha na busca de poder e prest\u00edgio, mas no seguimento de Jesus Cristo ela descobre o Reino e vive o dom dasalva\u00e7\u00e3o (RM 15-16). Por isso, n\u00e3o podemos separar Igreja e Reino porque ela \u00e9 instrumento de comunica\u00e7\u00e3o do Reino que \u00e9 Cristo (RM 18). Ela est\u00e1 a servi\u00e7o desse Reino fundando comunidades, congregando o Povo de Deus, os valores evang\u00e9licos, e intercede por todos (RM 20).<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que Francisco nos convoca a n\u00e3o deixar que nos roubem o Evangelho porque sem ele nada somos. E o fruto de que somos instrumentos comunicadores do Evangelho \u00e9 o amor (1 Cor 13).<\/p>\n<p>Escrito por\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/boletimsalesiano.org.br\/index.php\/salesianidade\/itemlist\/user\/106-pejo%C3%A3omendon%C3%A7a\">Pe. Jo\u00e3o Mendon\u00e7a<\/a>\u00a0&#8211; retirado do <a href=\"http:\/\/boletimsalesiano.org.br\/index.php\/salesianidade\/item\/4069-nao-deixemos-que-nos-roubem-o-evangelho\">Boletim Salesiano.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a miss\u00e3o da Igreja \u00e9 evangelizar, n\u00e3o podemos deixar por menos nosso compromisso mission\u00e1rio dentro do Projeto Pessoal de Vida. Nesse sentido, Francisco nos aponta elementos desafiadores. 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